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quarta-feira, 22 de julho de 2020

O QUE NÃO FOI DITO SOBRE O NOVO CORONAVIRUS – PARTE IV


CONHECENDO O INIMIGO II

 A habilidade de alcançar a vitória mudando e adaptando-se de acordo com o inimigo é chamada de genialidade.

 Sun Tzu – A arte da guerra

 Veesler e sua equipe viram que, diferentemente de outros tipos de coronavírus, o Covid-19 infecta as células por ser atacada pela proteína furina – a mesma escolhida pelo ebola e o HIV, por exemplo.

 Esse fato é significativo porque a furina é encontrada em muitos tecidos humanos, incluindo pulmões, fígado e intestino delgado, mostrando que o vírus tem o potencial de atacar vários órgãos, de acordo com Li Hua, biólogo da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China, que também publicou um estudo sobre essa proteína.

 A descoberta pode explicar não só a capacidade infecciosa do Covid-19, mas também alguns dos sintomas observados em pessoas que o contraíram.

 Esta enzima também parece estar envolvida na patologia de várias infecções, incluindo o HIV. Muitos agentes infecciosos não são biologicamente ativos até serem tratados com enzimas no corpo. 


Da mesma forma que a protease Insulina quebra a glicose para que ela possa entrar na célula a protease Furina ajuda o SARS COV-2 entrar na célula humana.

 Para infectar uma célula, os coronavírus usam uma proteína 'spike' que se liga à membrana celular, um processo que é ativado por enzimas celulares específicas. 

 Análises genômicas do novo coronavírus revelaram que sua proteína S (spike) difere da de parentes próximos e sugerem que a proteína possui um local que é ativado por uma enzima da célula hospedeira chamada Furina permitindo que o vírus entre na célula.

Quer dizer, mesmo não tendo a ACE-2 o vírus pode entrar na célula humana se esta tiver a proteína Furina.

 Neste local da espícula S a Furina transforma esta espícula de maneira que ela possa entrar na célula, é como se a Furina modificasse a espícula de maneira que ela possa se adaptar a um receptor da célula.


 Furina é uma enzima, uma proteína biologicamente ativa envolvida na mediação das funções corporais. Como outras enzimas, funciona ativando reações químicas. Esta enzima em particular é capaz de clivar proteínas para serem biologicamente ativas e executa várias funções diferentes no corpo. Os genes furin são codificados no cromossomo 15 e a posição precisa desses genes foi identificada pelos pesquisadores da enzima.

 A furina trabalha quebrando pares de aminoácidos emparelhados para produzir proteínas biologicamente ativas. 

 Essa enzima tem como alvo tipos específicos de pares de aminoácidos, atingindo pontos-chave na estrutura de uma proteína para fazer com que ela mude de comprimento e forma. 

 Furin é capaz de quebrar proteínas nos envelopes que cercam os vírus para torná-los funcionais. A pesquisa sobre como vírus e outros organismos causam doenças envolve explorar o desenvolvimento de inibidores de enzimas para impedir que enzimas como a furina façam seu trabalho. 

 As pessoas expostas ao HIV poderiam potencialmente pegar um inibidor de enzima e bloqueá-lo, impedindo que o HIV se espalhasse no corpo.

 Sars-CoV-2 usa uma enzima conhecida como ACE2 e é auxiliado por outra chamada TMPRSS2 encontrada em células caliciformes no nariz, que secretam muco; as células pulmonares conhecidas como pneumócitos tipo II, que participam da manutenção dos alvéolos, onde o oxigênio é absorvido; e as células conhecidas como enterócitos, que revestem o intestino delgado e estão envolvidas na absorção de nutrientes.

 Essa proteína ACE2 (Enzima Conversora da Angiotensina 2) está expressa na superfície das células e nada mais é do que um homólogo da já conhecida ACE (em português: ECA – Enzima Conversora de Angiotensina) – responsável pela regulação da pressão arterial dentro do Sistema Renina-Angiotensina.

 Nesse sentido, a variante ACE2, descoberta no ano 2000, é muito semelhante em estrutura (cerca de 42%) mas faz o papel inverso da ACE. Enquanto a última faz vasoconstrição e consequente aumento da pressão arterial, a ACE2 promove a vasodilatação e diminui a mesma. Dessa forma é feita a regulação do Sistema Renina-Angiotensina.

 Quando há queda na TA os rins liberam uma enzina chamada Renina que vai para o sistema circulatório. Ao mesmo tempo o fígado produz um precursor da Angiotensina, o Angiotensinogenio. Quando os dois se encontram no sangue formam a Angiotensina I que vai para os vasos pulmonares que nas células endoteliais do pulmão se encontra com o receptor ECA e se transforma na Angiotensina II (vasoconstritor) além de produzir citocinas. Para entrar nos rins e reduzir a TA ela usa do receptor ECA2 que se encontram no coração e rins e produz um forte vasodilatador.


 O SARS-COV-2 usa exatamente a ACE2 para entrar na célula e com o uso de medicações para problemas cardíacos e renais aumenta a quantidade de ACE2 e, portanto, facilita a entrada do vírus.


 Pessoas com doenças crônicas tem mais chances de serem infectadas pelo fato de o gene ACE2 geralmente ser mais expresso em pacientes com hipertensão, diabetes e outras doenças cardiovasculares, o que as torna mais suscetíveis a infecção pelo novo coronavírus.

 Além disso, o uso de medicamentos inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) como por exemplo Captopril, Enalapril usados em hipertensos e dos bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), como por exemplo Losartana usada no tratamento de doenças cardíacas e comumente usados por pacientes com diabetes e hipertensão, pode resultar em um aumento ainda maior da expressão de ACE2 devido a um mecanismo compensatório (upregulation).

 Alguns coronavírus como o coronavírus SARS de 2003 e o SARS-CoV-2 são ativados pela proteína transmembranar Serina TMPRSS2 e, portanto, podem ser inibidos pelos inibidores do TMPRSS2. 

 SARS-CoV-2 usa o receptor ACE2 para entrada e a serina protease TMPRSS2 para preparar a proteína S para entrar na célula. Um inibidor de TMPRSS2 aprovado para uso clínico bloqueou a entrada e pode constituir uma opção de tratamento.

 Os resultados de testes realizados com camundongos sugerem que a falta de TMPRSS2 nas vias aéreas reduz a gravidade da patologia pulmonar após infecção por SARS-CoV e MERS-CoV, enfermidades semelhantes ao SARS-COV-2. Tomados em conjunto, os resultados vão facilitar o desenvolvimento de novos alvos para coronavírus terapia.

 Em pacientes sintomáticos, os esfregaços nasais produziram cargas virais mais altas do que os esfregaços na garganta. A mesma distribuição foi observada em um paciente assintomático, implicando o epitélio nasal como principal portal para infecção e transmissão inicial. 

 A entrada celular de coronavírus depende da ligação da proteína S a um receptor celular específico, ACE2.

 A afinidade de ligação da proteína S e da ACE2 foi considerada um dos principais determinantes da taxa de replicação da SARS-CoV e da gravidade da doença. A entrada viral também depende da atividade da protease da TMPRSS2 e a atividade da catepsina (protease encontrada em diferentes células produzidas dentro dos lisossomos. São enzimas que quebram ligações peptídicas entre os aminoácidos das proteínas ativando ou inativando estas) que é capaz de substituir a TMPRSS2.

 ACE2 e TMPRSS2 foram detectados no epitélio nasal e brônquico. A expressão gênica de ACE2 e TMPRSS2 tem sido relatada como ocorrendo amplamente nas células epiteliais alveolares tipo II, que são centrais na patogênese por SARS-CoV, enquanto outro estudo relatou a ausência de ACE2 nas vias aéreas superiores. O que mostra o fator de substituição da ACE2 pelo TMPRSS2.


 As células epiteliais tipo II são células que produzem uma secreção lipoproteica, chamada de surfactante. A função do surfactante é manter os alvéolos abertos e auxiliar na difusão dos gases pela membrana alveolar.

 ACE2 é encontrada em células de múltiplos tecidos, incluindo vias aéreas, córnea, esôfago, íleo, cólon, fígado, vesícula biliar, coração, rim e testículo.

 O TMPRSS2 também é altamente expresso com uma distribuição mais ampla, sugerindo que o ACE2, em vez do TMPRSS2, pode ser um fator limitante para a entrada viral no estágio inicial da infecção e a TMPRSS2 nos estágios seguintes.

 As células da árvore respiratória, córnea, esôfago, íleo, cólon, vesícula biliar e ducto biliar comum expressaram as duas proteínas na mesma célula. 

 Pesquisadores da Universidade John Hopkins, 2020, determinaram que conjuntiva, limbo e córnea mostram expressão de ACE2 e TMPRSS2 confirmando a possibilidade de porta de entrada do vírus por esta via e contaminação uma vez que o vírus foi encontrado na lágrima. Pacientes com covid19 apresentavam conjuntivite.

 Em tecidos fetais, incluindo fígado, timo, pele, medula óssea, saco vitelino e pulmão, e encontramos pouca ou nenhuma expressão de ACE2 em todos, exceto fígado e timo fetal, onde não houve presença de TMPRSS2.


 A expressão de ACE2 é perceptível em certos tipos de células na placenta e na decídua que é a parte da mucosa uterina onde a placenta está implantada e que se hipertrofia durante a gestação e que é expulsa durante e após o parto, sem TMPRSS2.

 As células epiteliais nasais (mucosa nasal), incluindo dois aglomerados de células caliciformes (produz muco) e um aglomerado de células ciliadas (revestem a mucosa respiratória superior como mecanismo de defesa), mostram a expressão mais alta entre todas as células investigadas na árvore respiratória encontramos a expressão mais alta de ACE2. 


 Existem rotas de transmissão alternativas, por exemplo, esôfago, íleo e cólon poderia explicar o derramamento fecal viral observado clinicamente, com implicações para a potencial transmissão fecal-oral, enquanto a co-expressão em células conjuntivais superficiais poderia explicar um fenótipo ocular observado em uma pequena porção dos pacientes com COVID-19 com potencial de disseminação pelo ducto naso-lacrimal.

 O interferon é uma proteína produzida pelos nossos leucócitos e fibroblastos para interferir na replicação de microrganismos (como o novo coronavírus) e combatê-los.

 A ACE2 é estimulada pelo interferon, produzindo um maior número destas proteínas receptoras em nosso organismo, o que potencializa a capacidade do Sars-CoV-2 de entrar nas nossas células.

 Os interferons induzem um estado de resistência antiviral em células teciduais não infectadas. O vírus, ao replicar-se, vai ativar o gene codificante do interferon. Após a síntese proteica, a proteína sai da célula e entra na corrente sanguínea, até chegar às células vizinhas que ainda não foram atacadas.

 A resposta imunológica ao vírus   é eliminar a célula junto com o vírus que a infecta.   Inicialmente as células liberam citocinas e interferon e fazem com que as células T reconheçam a célula infectada.


Para a liberação do   interferon e das citocinas o   RNA ou DNA virais   ativam os receptores   da   membrana   do endossomo da célula afetada (os Endossomos são vesículas localizados junto a membrana plasmática responsáveis pelo transporte e digestão de corpo estranho como os vírus que são capturadas pela célula – endocitose. Estes se fundem com os lisossomos dentro das células, então o material ingerido é degradado).

 

O RNA/DNA viral também ativam receptores dentro das células que ali estão como resíduos virais de infecções anteriores. Estes receptores funcionam como sentinelas intracelulares envolvidos no reconhecimento do vírus pelo sistema imunológico. Estes receptores fornecem defesa na linha de frente contra infecções virais na maioria dos tecidos.

 

As   células   dendríticas (células brancas, linfócitos, que fagocitam antígenos, mas sua principal função é processar material antigênico e apresenta-lo às células especializadas do sistema imunológico) e os macrófagos trabalharão apresentando antígenos aos   linfócitos T liberar interferon fazendo ativar as células NK que junto aos macrófagos capturam e matam a célula infectada.



                                                  Secção da pele que mostra uma grande quantidade

                                                  de células dendríticas (em escuro) na epiderme.


Quando partículas estranhas entram em nosso organismo, como os vírus, células do sistema imune como macrófagos, linfócitos, monócitos e leucócitos induzem a produção de citocinas que aumentam a quantidade de receptores na super4fície da membrana celular.

 Proteínas virais  induzem a libertação de interferons que inibem a replicação viral; ativam as células NK que é um tipo de linfócito (glóbulo branco) chamada de célula assassina ou natural killer; e estimulam a expressão de moléculas fagocitárias.

 As células NK são pequenos grânulos que contem enzimas aptas a ocasionar a apoptose que é a morte celular e consequentemente do vírus. Não confundir com apoptose natural que é a morte celular natural programada induzida pelas mitocôndrias para renovação celular.

 Eles servem para conter as infecções virais, enquanto a resposta imune adaptativa é gerar células T citotóxicas específicas para o antígeno que pode limpar a infecção.

Pacientes com deficiência em células NK revelar-se altamente suscetível a fases iniciais da infecção por vírus.

 As células NK ativadas liberam citocinas que ativam fagócitosneutrófilos e células endoteliais.

 Os monócitos/macrófagos ativados produzem citocinas que levam à ativação de respostas sistémicas como o aumento de temperatura, ativação das células T (induz a apoptose) e B e libertação de outras citocinas.

 A principal função dos Linfócitos ou células B é a de produzir anticorpos e depois se diferencia em plasmócitos (grandes células B que foram expostas ao antígeno e produzem e secretam grandes quantidades de anticorpos) e células B de memória (reativam rapidamente anticorpos específicos por já terem tido contato com este antígeno e tem um longo tempo de vida).

 O interferon liga-se à membrana celular dessas células e ativa o gene codificante de proteínas antivirais. Estas proteínas antivirais, por sua vez, vão impedir a replicação do vírus, quando este tentar replicar-se nessas células.



 Os interferons, que são citocinas, são produzidos na fase inicial da infecção e constituem a primeira linha de resistência a muitas viroses.

  O ACE2 também é fundamental para proteger as pessoas em vários tipos de lesões nos pulmões. Quando o ACE2 surge, geralmente é uma resposta produtiva. Mas, como o vírus usa o ACE2 como alvo isto torna mais danosa sua proliferação.

 Uma das principais características da enfermidade é a resposta excessiva do sistema imunológico em casos graves. Quando o Sars-CoV-2 infecta nosso corpo, ele gera uma reação exagerada do sistema imunológico, causando uma "tempestade" de moléculas conhecidas como citocinas, que em excesso pode levar à morte.

 Citocina é o nome geral dado a um grupo de proteínas do sistema imunológico que é secretada por células e que afeta o comportamento das células vizinhas orientando às células se dividirem, ou pararem de se dividir; secretarem suas moléculas ou expressarem novos receptores que são as estruturas que surgem na superfície das células ou ordena-las a se destruírem.

 Estas citocinas são produzidas por células do sistema imune, como os linfócitos, macrófagos, monócitos e leucócitos, os quais "combatem" partículas estranhas que entram em nosso organismo. Essas células possuem a capacidade de liberar mais de uma única citocina por vez, assim como, podem atingir diferentes tipos celulares.

 As tempestades de citocinas podem causar uma falha na atuação do interferon contra o vírus.

 Os interferons, uma classe específica de citocinas, são produzidos em resposta a infecções virais ou à estimulação imunológica.

 As citocinas são um grupo de proteínas envolvidas no sistema imunológico inato e adaptativo.

 Muitos tipos de células no corpo – não apenas as células do sistema imunológico – podem produzir citocinas, e a produção geralmente é estimulada pela presença de um antígeno.

 As citocinas, produzidas via leucócitos, transmitem sinais de uma célula para outra, alteram o comportamento celular de várias maneiras e regulam a resposta imune do corpo a uma ameaça em potencial – que pode ser um patógeno, como vírus, bactéria ou parasita ou toxina.

 Como as citocinas são essencialmente mensageiras químicas, elas podem ajudar a regular a natureza e a intensidade da resposta do sistema imunológico do corpo.

 Tomando pistas dos sinais transmitidos por essas proteínas, o sistema imunológico seria capaz de estimular a produção dos produtos químicos necessários para combater a infecção e tomar outras medidas para suprimir a disseminação de agentes nocivos.

 Um exemplo de como as citocinas influenciam o sistema imunológico é que o estímulo dessas proteínas pode fazer com que o sistema imunológico aumente temporariamente a produção de células T para combater uma infecção e depois sinaliza para que o excesso de produção cesse quando o agente é controlado.




Linfócitos T ou células T são leucócitos do sistema imunológico responsáveis pela defesa do organismo contra agentes desconhecidos (antígenos). Seu papel principal é induzir a Apoptose (destruição) de células invadidas por vírusbactérias intracelulares, danificadas ou cancerígenas. Se diferenciam de acordo com sua função em: natural killer (NK), memória, e outras.

 Um dos fatores fatais do coronavírus SARS-CoV-2 é a reação exagerada que ele causa no sistema imunológico que é conhecida como tempestade de citocina.

 Suspeita-se que a tempestade de citocinas foi a principal causa de morte na pandemia da gripe espanhola de 1918. Outras doenças respiratórias causadas por coronavírus, como a síndrome respiratória aguda grave (SARS) e a síndrome respiratória do oriente médio (MERS), também podem produzir uma resposta imunológica exagerada.

As mortes do surto de 2005 do vírus da influenza aviária H5N1 também foram associadas a tempestade de citocinas.

Quando o sistema imunológico está lutando contra agentes infecciosos, as citocinas sinalizam células imunológicas tais como linfócitos-T e macrófagos para agirem no local da infecção.

 Em resposta da ativação das imunológicas pelas citocinas ocorre um estímulo para produção de mais citocinas. Em alguns casos, a reação torna-se descontrolada e células imunológicas demais são ativadas em um único lugar.

 A razão precisa para isto não é inteiramente compreendida, mas pode ser causada por uma resposta exagerada quando o sistema imunológico encontra um invasor novo e altamente patogênico.

 As tempestades de citocinas têm o potencial fazer dano significativo aos tecidos e aos órgãos do corpo, pois as citocinas regulam os processos inflamatórios, esta ação descontrolada pode causar vários danos locais.

 Se uma tempestade de citocina ocorre nos pulmões, por exemplo, os líquidos e as células imunológicas como macrófagos podem acumular-se e eventualmente obstruir as vias aéreas, isto pode resultar em morte por asfixia, uma vez que se as vias respiratórias estivessem bloqueadas, não haveria absorção de oxigênio.

 De acordo com cientistas da John Hopkins, 2020, um excesso de citocinas resulta na presença de mais células do que o necessário para combater a infecção. Então, parte delas acaba atacando o corpo do próprio paciente ao invés dos patógenos. 

 Maximilian Konig, reumatologista da Johns Hopkins, explicou em comunicado que esse processo leva a um "ciclo vicioso" que faz a quantidade de citocinas em determinada região aumentar cada vez mais. "Parece que, uma vez iniciado esse fenômeno, há uma incapacidade de desativá-lo adequadamente", disse o especialista.

 Frequentemente ocorre um agravamento brutal sete dias depois do aparecimento dos primeiros sintomas, segundo o professor Yazdan Yazdanpanah, chefe do serviço de doenças infecciosas do hospital Bichat, de Paris por conta da tempestade de ocitocinas causando dificuldade para respirar, sensação de ter os pulmões esmagados, lábios ou face que começam a ficar azulados, febre, fadiga e tosse seca. 

 A principal função do sistema imunológico é defender o hospedeiro contra patógenos e toxinas, tarefa que é essencial para qualquer organismo.

 Ao invés de se formar em órgãos, as células do sistema imunológico são constituídas principalmente por células individuais e se espalham por todo o corpo. No entanto, essas células do sistema imunológico funcionam de forma cooperativa, para completar sua tarefa para o nosso corpo.

 A característica única do sistema imunológico é que ele pode reconhecer suas próprias moléculas a partir de moléculas estranhas.

 Geralmente, uma resposta imune envolve uma série de etapas-chave; reconhecimento de patógenos, ativação e iniciação, regulação e geração de memória imunológica.


  Imunidade Inata

O sistema imune inato ou natural é a primeira linha de defesa, rápida, dura pouco tempo, altamente específica para o agente invasor preparando terreno para a segunda linha de defesa, mais rápida.

 Esta imunidade já nasce com o indivíduo e são: a pele, pelos e muco, sendo responsáveis por impedir ou retardar a entrada de corpos estranhos no organismo;

a acidez do estômago, temperatura do corpo e citocinas, que impedem o microrganismo invasor se desenvolver no corpo, além de promover a sua eliminação; células fagocitárias (eosinófilos, monócitos, macrófagos), células dendríticas, células assassinas naturais e proteínas plasmáticas.

 Imunidade Adaptativa

O sistema imune adaptativo ou específico consiste em células altamente especializadas chamadas células de linfócitos B derivadas de medula óssea que produzem anticorpos específicos que neutralizam os patógenos fora das células orgânicas e células de linfócitos T derivadas de timo que podem eliminar células orgânicas infectadas pelo patógeno. São mais lentas e dura mais tempo.

 Essas duas células são capazes de reconhecer diferentes antígenos de forma muito precisa e têm a capacidade de gerar memória imunológica, de modo que permite reconhecer os agentes patogênicos que já encontraram antes.

 


quarta-feira, 20 de maio de 2020

O QUE NÃO FOI DITO SOBRE O CORONAVIRUS - PARTE I

Esta postagem tem um cunho diferente apesar de ser um assunto que se fala a todo momento. CORONAVIRUS.

Só que quero abordar de uma forma diferente, não as mesmas coisas que se repetem nos meios de informações.

Algo que sempre digo em minhas palestras é que para para um bom combate preciso conhecer meu inimigo.

Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo lutará cem batalhas sem perder; para aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, as chances para a vitória ou derrota serão iguais; aquele que não conhece nem o inimigo e nem a si próprio será derrotado em todas as batalhas (Sun Tzu-A Arte da Guerra)

Este assunto será dividido em vários capítulos pela quantidade informações que coletei em diversos periódicos como The Lancet, Nature, Science, Ministério da Saúde, Universidade de Campinas (UNICAMP), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (URGS), Memórias do Instituro Oswaldo Crus, Organização Mundial da Saúde (OMS), SCIELO e outras cuja bibliografia apresentarei ao final do último capítulo. 

Boa leitura!


JÁ SABÍAMOS?

Antes que a pandemia do novo coronavirus viesse a acontecer fatos foram escritos e detalhados de que isto iria acontecer, mas ninguém deu crédito.

Tiveram videntes que previram esta pandemia como a vidente Dona Romana, o José Acleildo, a vidente espanhola Nube de Marias, Carlinhos vidente. A Márcia vidente pelo menos foi honesta dizendo que ninguém previu este desespero, nenhum vidente, nenhum astrólogo.

Algumas vezes uma previsão é o entendimento de alguém para um fato a acontecer e cada um tem uma interpretação do fato ou este é distorcido por alguma razão. É o que aconteceu com a famosa vidente Búlgara morta em 1996, aos 84 anos, Baba Vanga conhecida no mundo como a "Nostradamus dos Bálcãs".
Segundo o jornal britânico Daily Star, Neshka Stefanova Robeva, 73 anos, ex-treinadora da equipe de ginástica rítmica da Bulgária, revelou, 15 anos após a morte da vidente  que ela havia alertada: "o Corona estará sobre todos nós".

Segundo Robeva lembrou: "Tia Vanga estava falando da gripe vinda da China. 


Ainda de acordo com a publicação, a dúvida pode ter acontecido porque a palavra " Corona ", em búlgaro, quer dizer tutela e é comumente associada com a influência da Rússia no país. Assim, ela inicialmente imaginou que a previsão tratava de um possível aumento deste poderio russo sobre os búlgaros, e não a uma doença.

Entretanto livros com histórias de que em um futuro próximo isto aconteceria foram publicados com riqueza de detalhes o mesmo acontecendo com relatórios da CIA.

A Netflix no filme A Próxima Pandemia, disponível em 7 de novembro de 2019, ou seja, antes da atual pandemia, vários especialistas além de Bill Gates previram uma pandemia que estava perto de acontecer.

Afirmavam que a próxima pandemia seria causada por um vírus e apontou a China como principal local de risco em um  mercado que comercializa carnes cruas de animais, como os morcegos onde a próxima pandemia pode ser de um vírus para o qual não estamos preparados e a economia vai quebrar.

O custo para a humanidade será inacreditável e nenhum país estará imune ao problema que será criado".

Já Sylvia Browne, em seu livro Fim dos Dias: Previsões e Profecias sobre o Fim do Mundo publicado em 2009, conseguiu adivinhar até o ano que aconteceria o vírus e como ele atacaria as pessoas. 

No livro ela conta “por volta de 2020, uma doença grave do tipo pneumonia se espalhará por todo o mundo, atacando os pulmões e os tubos brônquicos, resistindo a todos os tratamentos conhecidos.” 

Que desaparecera tão rapidamente como chegou e nova onda ocorrerá após 10 anos.

Em 2018, ecologista de doenças, presidente da EcoHealth Alliance, organização global de pesquisa científica com sede em Nova York e membro da Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos, Peter Daszak, alertou a OMS sobre o perigo de uma epidemia grave causada por um patógeno desconhecido de origem animal que poderia se espalhar por vários países e ter uma taxa de mortalidade maior que as das gripes sazonais, causando um pânico global.

Em 2015, Ralph Baric, professor da Escola Global de Saúde Pública da Universidade da Carolina do Norte (EUA) e pesquisador veterano de coronavírus , conseguiu demonstrar  que o coronavírus semelhante ao causado pela SARS e originários de morcegos-ferradura chineses, representavam uma ameaça de um novo surto.

Na época, Baric disse : essa não é uma situação ‘se’, haverá um surto de um desses coronavírus, mas sim “quando” ele aparecerá e como estaremos preparados para lidar com ele, alertou.

Melissa Tobias autora do livro de ficção “A realidade de Madhu”, escrito em 2013 e publicado em 2019, na página 183  "previu" uma pandemia viral que ocorreu em 2020 e matou 3 bilhões de pessoas no planeta Terra por conta de um vírus psicossomático.

Cientistas chineses do Instituto de Virologia Wuhan e da Universidade da Academia Chinesa de Ciências publicaram um artigo em 2 de março de 2019 em que previam o surgimento de um novo surto de coronavírus no país.

Intitulado "Coronavírus de morcego na China", o documento foi publicado na revista científica Viruses e cita duas epidemias anteriores provocadas por esse tipo de vírus no país.

O livro “O novo relatório da CIA", de Alexandre Alder divulgado em 2009, já previa a possibilidade de uma pandemia viral global que teria início na China, e para cujos efeitos os países estariam despreparados.

Este relatório foi assinado por 25 especialistas internacionais do National Intelligence Council para a CIA

Prevê o aparecimento de uma nova doença respiratória virulenta, extremamente contagiosa, para a qual não existe tratamento e poderá desencadear uma pandemia mundial".

Será em uma zona de forte densidade populacional, de grande proximidade entre seres humanos e animais, como acontece na China e no Sudeste Asiático.

A doença tardaria a ser identificada se o país de origem não dispusesse de meios adequados para identificar. Seriam necessárias semanas para os laboratórios fornecerem resultados confirmando a existência de uma doença capaz de se transformar em pandemia."

Apesar das restrições às deslocações internacionais, viajantes com poucos ou nenhuns sintomas poderiam transportar o vírus para outros continentes. Os doentes seriam cada vez mais numerosos, aparecendo novos casos todos os meses."

Com efeito, as nações irão se esforçar, com capacidade insuficiente, para controlar os movimentos das populações de modo a evitar a infeção.

E NÃO FOI POR FALTA DE AVISO

O mundo já passou por várias epidemias e pandemias que não foram suficientes para que a humanidade revisse seus conceitos, comportamentos culturais e sociais nem mesmo o poder publicou achou necessário criar sistemas preventivos baseado no acompanhamento no que acontece em seus territórios de maneira a agir rápida e preventivamente com um bom rede de comunicação entre os municípios, estados e países nem o sistema de saúde é concordante com as medidas sanitárias e não viu a necessidade de ter um programa de atendimento rápido.

Vamos agindo conforme a doença vai evoluindo e aí começa a fazer as costuras como uma colcha de retalhos.

Em 2002 na China ocorrem os primeiros casos de SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome), se espalhando pela América do Norte, América do Sul, inclusive Brasil, Europa e Asia. Mais de 8.098 infectados e 774 mortes.

Em 2012 foi isolado um novo vírus chamado de MERS-CoV identificado na Arábia Saudita e, posteriormente, Oriente Médio, Europa e África, Coreia do Sul, Estados Unidos, Catar, Líbano, França, Itália e Inglaterra. De 2012 a 2018 foram 2.266 casos com 804 óbitos.

Nestes dois momentos se trabalhou muito na identificação de medicamentos eficazes e uma vacina. 

Só que em um determinado momento elas desapareceram e a indústria farmacêutica e os governos perderam o interesse na continuação destes trabalhos achando que isto nunca mais aconteceria. Ledo engano. Voltaram e voltaram a se repetir e se os trabalhos tivessem tido continuidade hoje estaríamos numa condição melhor para conseguirmos a vacina e medicamentos.

E em 2015 a MERS retornou na Coréia do Sul tendo sido associado a um viajante que havia retornado do Oriente Médio. Quase 200 pessoas foram infectadas e houve 36 mortes.
Mas tivemos outros exemplos de gripes virais desconhecidas no passado e que continuam até hoje afetando animais e os seres humanos.

Gripe espanhola H1N1: 1918 a 1920 – fala-se em 500 milhões afetados e de 17 a 50 milhões e possivelmente 100 milhões de mortes.




Gripe Russa 1889 a 1890 – H2N2 – aves – 1,5 milhão de óbitos Europa, Ásia, África e América (Brasil inclusive, afetando D. Pedro II)

Gripe asiática 1957 - 1958 – H2N2 – aves – mais de 2 milhões de óbitos China e avançou para Ásia, Oceania, África, Europa e Estados Unidos.

Gripe Hong Kong 1968 a 1969 – H3N2 – aves ao redor de 1 milhão de óbitos. Asia, EUA, Europa.

Gripe Russa 1977 a 2004 – H1N1 – aves Sudeste Asiático, Europa e África matou cerca de 300 pessoas

O H5N1, 1997 a 2004, foi isolado de gansos na China matou cerca de 300 pessoas. A doença passou pelo Sudeste Asiático, Europa e África e, para frear sua proliferação, 1,5 milhão de aves foram mortas só em 1997.

Matou pela primeira vez em Hong Kong em 1997 e fez seis vítimas fatais. Em seguida, reapareceu em 2003 no sudeste da Ásia, com um total de 282 mortes e 468 casos em 15 países.

25 de abril de 2009 a 2010 tivemos uma nova onda de gripe a H1N1– pandemia de H1N1 (gripe suína ou gripe mexicana) – América do Norte, Oceania, América Latina, África. Primeira vacina e foi rejeitada pela maioria da população inclusive no Brasil. Foi a primeira vez que houve uma recombinação do vírus aviário, suína e humana.

A gripe A, causada pelo vírus H1N1, vitimou 18,5 mil pessoas entre abril de 2009 e agosto de 2010. 

Um estudo da época publicado pela revista médica “The Lancet Infectious Diseases" mostra que a pandemia foi mais mortal do que a Organização Mundial de Saúde (OMS) acreditava - o número de mortes foi até 30 vezes maior e que tenha ficado entre 151,7 mil e 575,4 mil.

O sudeste asiático e a África sofreram 59% de todos os óbitos atribuídos ao H1N1 - as regiões abrigam 38% da população mundial.

O registro de 2.060 mortes no Brasil em 2009 ocorreu quando a vacina ainda estava em desenvolvimento. Ela passou a ser aplicada em 2010, quando o governo brasileiro anunciou que iria imunizar 92 milhões de pessoas.

Em 2013, o Brasil também registrou outro pico da epidemia: foram 768 mortes. Mesmo com a vacina.

O QUE NOS RESERVA O FUTURO?

Sabemos que as gripes virais distribuídas no mundo são de origem anima que processo mutagênico acaba encontrando um hospedeiro melhor adaptado. Este processo evolutivo pode acontecer na passagem do vírus de um animal para outro e depois para o ser humano ou diretamente do animal original para o ser humano.

O melhor hospedeiro é aquele onde a doença demora para aparecer e onde não ocasiona a morte rapidamente. Se o hospedeiro adoece rapidamente e o óbito vem logo o vírus não consegue se espalhar na população vindo a desaparecer.

Segundo Atila Lamarino do Departamento de Microbiologia da USP, 2020 o Influenza A tem o seu material genético organizado em pedaços. São 8 genes, em 8 fragmentos de RNA, que produzem 11 proteínas. Tudo o que ele precisa para invadir uma célula, dominar a maquinaria celular para produzir cópias suas e partir para a próxima. Sua patogenia, os sintomas e a virulência, são diretamente dependentes destes genes e da combinação entre diferentes linhagens deles, que vêm e vão através do rearranjo, a mistura dos genes de vírus diferentes que infectam uma mesma célula.

Embora a chamada gripe espanhola tenha acabado em 1919, o vírus não sumiu. Ele se tornou a linhagem predominante em humanos, e continuou circulando e mudando durante os próximos 38 anos. Mudou o suficiente para escapar do sistema imune dos hospedeiros.

Segundo o Ministério da Saúde, 2020, o vírus da gripe (Influenza) propaga-se facilmente e é responsável por elevadas taxas de hospitalização.

Existem quatro tipos de vírus influenza/gripe: A, B, C e D. sendo que no Brasil temos o A, B e C.

O vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus influenza A responsável pelas grandes pandemias.

Tipo A - são encontrados em várias espécies de animais, além dos seres humanos, como suínos, cavalos, mamíferos marinhos e aves migratórias.

Eles são ainda classificados em subtipos de acordo com as combinações de 2 proteínas diferentes, a Hemaglutinina (HA ou H) e a Neuraminidase (NA ou N).

Dentre os subtipos de vírus influenza A, atualmente os subtipos A(H1N1)pdm09 e A(H3N2) circulam de maneira sazonal e infectam humanos.

As subespécies conhecidas do vírus da influenza A são: H1N1, H1N2, H3N2, H3N8, H5N1, H7N2, H7N3, H7N7, H7N9, H9N2, H10N7

Alguns vírus influenza A de origem animal também podem infectar humanos causando doença grave, como os vírus A(H5N1), A(H7N9), A(H10N8), A(H3N2v), A(H1N2v) e outros.

H1N1, é a causa mais comum da influenza em humanos. Este subtipo deu origem, por mutação, a várias estirpes, incluindo a da gripe espanhola, estirpes moderadas de gripe humana e estirpes endémicas em aves.

Variantes de H1N1 de baixa patogenicidade existem em estado selvagem, causando cerca de metade de todas as infecções por gripe em 2006.

Em 1957 o H1N1 que havia mudado entre 3 e 6 anos antes adquiriu 3 de seus 8 genes de um vírus aviário, Hemaglutinina, Neuraminidase e um dos integrantes da polimerase viral – enzima que faz a cópia do seu material genético – o PB1, formando o H2N2 mas com grande parte do H1N1, matando milhões de pessoas com a gripe asiática.

Em 1968 o vírus havia recebido dois novos genes, a Hemaglutinina e PB1 novamente, em 1966. Agora ele explodia na Gripe de Hong Kong como H3N2. Ainda carregava genes do H1N1 de 1918 e a Neuraminidase 2, mas sua nova Hemaglutinina garantiu mais uma vez o passe pelo sistema imune e a consequente pandemia.

Agora, em 1977, um novo incidente. E desta vez, inédito. O H1N1 voltou a circular, causando a pandemia da Gripe Russa. Mas não precisou adquirir nenhum gene novo para isso. A linhagem de 1977 era idêntica ao H1N1 de 1951. Acredita-se que em algum teste de vacinas, provavelmente na União Soviética ou no Leste Asiático, o vírus H1N1 vazou do laboratório.

Segundo Atila Lamarino por uma série de motivos, o Influenza é um dos microorganismos mais temidos. Ebola, Marburg e outros despertam medo e curiosidade por serem tão letais, mas são bem menos transmissíveis e facilmente notados. Já o causador da gripe se espalha facilmente pelo ar, é transmitido antes mesmo de causar sintomas e explora reservatórios animais mais próximos de humanos.
H1N2 são os vírus responsáveis pela gripe. Atualmente é endemico em seres humanos e suínos.

H1N1, H1N2 e H3N2 são os únicos subtipos conhecidos do vírus Influenza atualmente circulam entre os seres humanos. O vírus não causa doença mais grave do que outros vírus da gripe, e nenhum aumento anormal da atividade da gripe têm sido associados com ele.

H2N2. Mesmo assim, as linhagens de Influenza mais temidas são as causadoras da gripe aviária altamente patogênica. Mas Gary Nabel, Chih-Jen Wei e Julie Ledgerwood chamam a atenção para um grande risco praticamente ignorado: o vírus H2N2. A antiga linhagem que entrou em humanos por volta de 1957 na China e ainda circula em aves e porcos. E não são poucos os motivos para se observar o H2N2.
Trata-se de um vírus que já se provou capaz de infectar humanos muito bem, tanto que causou entre 1 e 4 milhões de mortes durante os 11 anos em que circulou, contaminando mais da metade de crianças e adolescentes durante a Gripe Asiática
E ele continua presente ao nosso redor. Embora tenha sido substituído pelo H3N2 em 1968, ainda circula entre aves e suínos, de maneira similar ao Influenza A H1N1 de 2009.
E, como se viu durante a pandemia de 2009, o H2N2 circulante em animais de criação manteve suas proteínas de superfície conservadas, um forte indicativo de que ele requer poucas mudanças (ou nenhuma) para ser transmitido para humanos.
A falta de imunidade também é um fator de preocupação. Entre 1968 e os dias de hoje, a grande maioria dos nascidos nunca foi exposta ao H2N2, de maneira que há uma enorme quantidade de pessoas vulneráveis ao vírus, sem anticorpos. E já se viu que bastaram pouco mais de 20 anos para que o H1N1 que desapareceu em 1957 voltasse a circular em 1977, encontrando milhões de pessoas sem imunidade quando foi reintroduzido.

A ameaça está presente.



H3N2 é um dos subtipos de vírus que causa a influenza (gripe). Os vírus H3N2 podem infectar aves e mamíferos. Em aves, humanos, e porcos, o vírus tem mutado em muitas cepas.

O H3N2 é cada vez mais abundante em gripes temporais, que mata cerca de 36 mil pessoas nos Estados Unidos a cada ano. No Brasil, historicamente, o H3N2 é a segunda estirpe de vírus mais comum, depois do influenza H1N1, apesar de em 2017 ter representado o maior número de casos de gripe .

H3N8 é um subtipo de vírus de gripe A endémica em avescavalos e cães. Em 2011, foi relatado ter sido encontrado em focas. Os gatos foram infectados experimentalmente com o vírus, levando a sinais clínicos, disseminação do vírus e infecção de outros gatos.

O H3N8 foi identificado como a causa provável da pandemia de gripe de 1889 a 1890 em humanos, conhecida como gripe russa, e também outra epidemia em 1898 a 1900.

H7N2 é um subtipo de Influenzavirus A, chamado de vírus da gripe aviária tendo ocasionado mortes de galinhas em 2002 e 2003 no País de Gales e causou infecção leve em 4 pessoas que trabalhavam destas fazendas.

H5N1, também conhecido como "gripe das aves” é um subtipo de vírus Influenza A que pode causar doença em humanos e muitas outras espécies animais. 

H7N3 Em 1963, o H7N3 foi encontrado pela primeira vez na Inglaterra em perus. É uma das cepas chamadas de gripe aviária.

Em 1999, infecções por H9N2 em Hong Kong (patos selvagens e aves costeiras na América do Norte; endêmico em aves domésticas na Ásia).

Há evidências de transmissão para suínos. Já causou infecção respiratória leve em humanos na China e Hong Kong em 1999 e 2003. É um vírus em evolução.

No Canadá  a presença do H7N3 foi confirmada em várias granjas de aves domésticas em fevereiro de 2004 no Canadá; aves foram abatidas para impedir a propagação do vírus. Dois humanos, ambos avicultores, foram infectados.  Ambos se recuperaram.

Em 2005, o H7N3 foi detectado em excrementos de aves migratórias em Taiwan. 

Pela primeira vez o H7N3 foi encontrado, em abril de 2006 na Escócia. Ele infectou aves e um avicultor, 35.000 galinhas foram abatidas.

Em 2005, o H7N3 foi detectado em excrementos de aves migratórias em Taiwan. 

Em 27 de setembro de 2007, outro surto de H7N3 foi detectado em uma granja avícola no Canadá. Todas aves foram mortas e a desinfecção de todos os edifícios, materiais e equipamentos em contato com os pássaros ou seus excrementos. 

Em junho de 2012, um surto de H7N3 foi encontrado em cerca de 10 fazendas no México, das mais de 6 milhões de aves abatidas, 1,7 milhões estavam doentes. 

H7N7 é um subtipo de Influenzavirus A, com estirpes de elevada patogenicidade (HPAI) e de baixa patogenicidade (LPAI) e tem elevado potencial zoonótico. O subtipo H7N7 pode infectar seres humanosavesporcosfocas e cavalos em estado selvagem, tendo também infetado ratos em laboratório, e foi isolado pela primeira vez em 2003. Este potencial zoonótico incomum representa uma ameaça de pandemia.

Em 2003, 89 pessoas na Holanda foram confirmados como tendo sido infectadas por H7N7 após um surto em aves domésticas em cerca de 255 fazendas. Uma morte foi registrada - um veterinário que tinha vindo a testar galinhas para o vírus - e todos os rebanhos infectados foram abatidos. A maioria das pessoas afetadas apresentaram sintomas leves, incluindo conjuntivite.

H7N9  é um subtipo de Influenzavirus A que em geral causa influenza aviária.
Em 2013 o Ministério da Saúde Chinês comunicou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a identificação, pela primeira vez, de um novo vírus A(H7N9) recombinante causando doenças em humanos. Em 23 de maio de 2017, a OMS informou mais 23 infecções humanas na China, o que elevou o número total para 688 infecções.
H9N2 é um subtipo de Influenzavirus A, que são os vírus responsáveis pela gripeaviária.
Ao longo dos anos, a cepa de influenza H9N2 causou a doença em várias crianças com idades entre nove meses a 5 anos em Hong Kong com a última ocorrendo em dezembro de 2009.
H10N7 é outro subtipo de Influenzavirus A, responsável pela gripe aviária. Este subtipo é um dos vários às vezes chamado de vírus da gripe aviária.
Em 2004 no Egito, H10N7 foi relatado pela primeira vez em seres humanos.

Tipo B - infectam exclusivamente os seres humanos. Os vírus circulantes B podem ser divididos em 2 principais grupos (as linhagens), denominados linhagens B/ Yamagata e B/ Victoria. Os vírus da gripe B não são classificados em subtipos.

Tipo C - infectam humanos e suínos. É detectado com muito menos frequência e geralmente causa infecções leves, apresentando implicações menos significativa a saúde pública, não estando relacionado com epidemias.

Em 2011 um novo tipo de vírus da gripe foi identificado. O vírus influenza D, o qual foi isolado nos Estados Unidos da América (EUA) em suínos e bovinos e não são conhecidos por infectar ou causar a doença em humanos.

As vacinas influenza disponíveis no Brasil são todas inativadas (de vírus mortos), portanto sem capacidade de causar doença. Até 2014, estavam disponíveis no Brasil apenas as vacinas trivalentes, com uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B (linhagem Yamagata ou Victoria).

As novas vacinas quadrivalentes, licenciadas desde 2015, contemplam, além dessas três, uma segunda cepa B, contendo em sua composição as duas linhagens de Influenza B: Victoria e Yamagata. Como as trivalentes, as vacinas quadrivalentes são inativadas e não possuem adjuvantes.

Os vírus da influenza mudam constantemente. Por isso, a Rede Global de Vigilância de Influenza da OMS (GISN, na sigla em inglês), uma aliança de 144 Centros Nacionais de Influenza de todo o mundo, monitora os vírus que circulam em humanos. 

Do total de Centros, três ficam no Brasil. E, por meio deles, o país pôde identificar que os tipos de vírus de influenza que atualmente circulam no território brasileiro são o influenza A (H1N1pdm09), A (H3N2) e influenza B. 

NOMENCLATURA

O coronavirus recebe este nome por apresentar, visto ao ME, como um coroa ao seu redor.


Pertencem à ordem nidovirales, família coronaviridae,  subfamília orthocoronavirinae É uma família de vírus que causam infecções respiratória. Formam um grande grupo de vírus comuns em animais.
Os coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. 

No entanto, apenas em 1965,June Dalziel Almeida, bióloga foi uma virologista escocesa  e pioneira em imagens, identificação e diagnóstico de vírus identificou o primeiro coronavirus humano no St. Thomas' Hospital em Londres em 1964.

Conhecemos hoje, sete coronavirus:
HCoV – 229E: Foi descoberto em 1960, na China, causando resfriado comum e possivelmente infecções no sistema nervoso em humanos. Divergiu do coronavirus do Alpaca em 1960.

SARS – CoV: Foi descoberto em 2002, na China, causando febre, dor de cabeça, calafrios e dores musculares, seguido de tosse seca e às vezes dificuldade para respirar. Divergiu do coronavirus de morcegos em 1986.

HCoV – NL63: Foi descoberto em 2004 na Holanda causando infecções respiratórias na parte superior e inferior do sistema. Divergiu do coronavirus de morcego, acredita-se em 1800.

HCoV – OC43: descoberto em 1937, na China, causando resfriado comum em humanos. Divergiu do coronavirus bovino em 1890.

HCoV – HKU1: identificado em 2005 em Hong Kong. Causa doença entérica e respiratória. Divergiu do coronavirus de morcegos.

MERS – CoV: identificado em 2012 na Arábia Saudita causando febre, tosse e falta de ar, náuseas, vômitos e diarreia. Divergiu de morcegos e transmitido ao homem por camelos.

SARS – CoV – 2: descoberto em 2019, na China, causa graves problemas respiratórios, divergiu do coronavirus do Pangolim.

Os coronavirus HCoV-229C, HCoV – NL 63, HCoV - OC 43, HCoV – HKU1 são responsáveis por aproximadamente um terço do resfriado comum no mundo todo.

Acredita-se que todos os coronavirus tenham iniciado sua cadeia de transmissão através de morcegos contaminando outros animais ou diretamente o homem através de suas fezes, urina e frutas.

É fato que os coronavirus tem um ancestral comum que é o morcego. A partir daí mutações passam a acontecer e neste caminho evolutivo aparecem alguns hospedeiros acidentais onde o vírus se adapta, se reorganiza e acaba infectando.

Este processo pode ser através da urina, fezes, sangue de morcegos e/ou frutas comidas por eles

Na medida em que o ser humano passa a conviver com animais silvestres e/ou domésticos, em algum momento estes vírus, que estão circulando entre o ser humano e estes animais acaba mutando de uma determinada forma que passa a ter um convívio adaptado a este novo hospedeiro e depois de algum tempo ele começa a causar doença.

Por exemplo, o genoma do SARS-CoV-2 compartilha cerca de 80% de identidade com o do SARS-CoV e é cerca de 96% idêntico ao coronavírus de morcego BatCoV RaTG13

Este novo vírus passou por uma série de nomenclaturas começando com Coronavirus de Wuhan (nome dado pela cidade de origem);

coronavirus 2019 – nCoV (significa novo coronavirus descoberto em 2019);

coronavirus SARS – CoV – 2 (teve este nome por estar relacionado ao coronavirus SARS) e finalmente

CoViD – 19 (significando Corona Virus Doença 2019).