Nota do autor: "Este artigo é uma versão ampliada, revisada e atualizada do texto 'Sinantrópicos e saúde pública', publicado neste blog em 23/11/2012."
Antes de iniciarmos nossa conversa vamos primeiro
entender o que são estas duas palavras e qual é a relação entre elas.
O Dr. Mateus Henrique Dias, Guimarães, 2025 publicou um
trabalho que fala sobre o que é saúde pública e saúde coletiva dizendo que são
pilares fundamentais para a organização e o bem-estar de qualquer sociedade.
https://rsv.ojsbr.com/rsv/article/view/4230
A saúde pública pode ser entendida como o conjunto de
políticas e ações sistemáticas destinadas a promover a saúde da população,
prevenindo doenças, garantindo o acesso à saúde e promovendo condições de vida
mais saudáveis. (idem)
AGENTES COMUNITÁRIOS DE
SAÚDE são profissionais
fundamentais que intermedeiam a relação entre a comunidade e os serviços de
saúde, essenciais na mobilização de campanhas e no trabalho diário. (idem)
Os órgãos oficiais de saúde e trabalhos tem sido publicados
como esta teve, no Brasil, seu início estruturado com o Programa de Agentes
Comunitários de Saúde (PACS) no início da década de 1990, oficializado em 1991,
focando inicialmente na região Nordeste para combater a mortalidade
materno-infantil.
Mas não foi exatamente assim. A Saúde Comunitária no
Brasil iniciou na Unidade Sanitária São José do Murialdo na rua Vidal de
Negreiros número 443, bairro Partenon, Porto Alegre, RS em 1976. Quando lá
entrei, em 1977, esta unidade de saúde era dirigida pelo Dr. Ellis Alindo
D'Arrigo Busnelo. Lá tembém foram criados os Agentes Comunitários de Saúde.
Entrei como Médico Veterinário dentro das equipes multidisciplinares e
interdisciplinbares denominadas Equipes Primárias de Saúde.
Esta é a verdadeira história da origem da MEDICINA
COMUNITÁRIA no Brasil, e não como dizem os documentos legais que foi no
Nordeste na década de 90. Depois foi dando forma a outras maneiras de atender a
população Programa de Saúde da Família, Medicina Coletiva, Saúde da Família,
Atenção Primária, Medicina Social, Medicina da Família e tantos outros.
A SAÚDE COLETIVA tem
sua base histórica na medicina social da França, Inglaterra e Alemanha,
configurando-se como campo científico e um âmbito de práticas de caráter
interdisciplinar no Brasil, ou seja, é um termo especificamente brasileiro, que
emergiu desde 1979 influenciado pelos preceitos da Reforma Sanitária Brasileira
(RSB), constituindo conceito, configuração, movimento político e científico no
País. https://www.scielo.br/j/sdeb/a/zbwCYXBKPfFdDJRfv4XTRJM/?lang=pt
Saúde coletiva é um campo do conhecimento e de atuação que
estuda e intervém nas condições de saúde das populações, considerando fatores
sociais, econômicos, culturais e ambientais. Diferente da Medicina Tradicional,
que foca no cuidado individual, a saúde coletiva se concentra no bem-estar
coletivo e na prevenção de doenças em larga escala.https://www.univates.br/blog/o-que-e-saude-coletiva/
A área busca entender como o contexto em que as pessoas
vivem (como moradia, trabalho, acesso à educação, alimentação e saneamento
básico) afeta diretamente sua saúde. Além disso, propõe políticas públicas e
ações integradas que possam melhorar a qualidade de vida da população como um
todo. (idem).
Na prática, isso significa criar e implementar programas de
vacinação, campanhas de conscientização sobre doenças transmissíveis,
estratégias de controle ambiental e promoção da saúde em escolas, comunidades e
ambientes de trabalho. Ou seja, é um esforço coletivo que envolve diferentes
setores da sociedade, como governos, universidades, organizações sociais e até
os próprios cidadãos. (idem)
A saúde coletiva é essencial para garantir que o acesso à
saúde seja um direito de todos, e não um privilégio de poucos. (idem)
Saúde e qualidade de vida são dois temas relacionados. Isto
é, a saúde contribui para melhorar a qualidade de vida e esta é fundamental
para que um indivíduo ou comunidade tenha saúde.
QUALIDADE DE VIDA serve para medir as condições da vida de um ser
humano. Envolve o bem físico, mental, psicológico e emocional, além de
relacionamentos sociais com a família e amigos e também a saúde, educação, e
outras circunstâncias da vida. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/260_qualidade_de_vida.html
Qualidade de Vida é mais do que ter uma boa saúde física ou
mental. É estar de bem com você mesmo, com a vida, com as pessoas queridas e
com todos ao seu redor, enfim, estar em equilíbrio. Esse equilíbrio
diz respeito ao controle de sua vida e dos acontecimentos à sua volta. (idem)
eletivas2010.blogspot.com/2010/11/qualidade-de-vida_25.html↗
Fato fundamental na melhoria da qualidade de vida é a pessoa
ou comunidade estar em perfeito estado de saúde para que possa desenvolver
todas as outras atividades que vão proporcionar uma melhor qualidade de
vida.
Mas o que ter SAÚDE, como definir este item
fundamental à vida. Tem-se tentado defini-la de várias formas e não temos uma
única definição ou apenas uma forma de definir o que é estar com saúde.
Segundo a OMS SAÚDE é um estado de completo bem estar
físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade.
A definição de saúde não é apenas uma questão teórica, pois
tem muitas implicações para a prática, as políticas públicas e os serviços de
saúde. A definição atual de saúde, formulada pela OMS, já não é adequada para
lidar com os novos desafios dos sistemas de saúde. https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0020731418782653
Apesar das muitas tentativas de substituí-la, nenhuma
definição alternativa alcançou um amplo consenso. Adotando uma perspectiva
epistemológica, a necessidade de uma definição única deve ser rejeitada em
favor de uma abordagem plural, na qual não pode existir a melhor definição de
saúde, mas sim várias definições diferentes, mais ou menos úteis dependendo do
escopo de aplicação. (idem)
As objeções comuns, por exemplo, acusando a definição da OMS
de utopismo e extrapolamento, baseiam-se numa suposição implícita de que "completo" é
um termo quantitativo. Em outras palavras, os críticos presumem que a expressão
significa que saúde é um estado de bem-estar no seu mais alto grau. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10849326/#CIT0022
smetal.org.br/imprensa/minha-saude-meu-direito-e-tema-do-dia-mundial-da-saude/↗
O autor chama essa interpretação de SAÚDE PERFEITA. Assim, os críticos alegam
que a OMS identifica saúde com o mais alto grau de bem-estar, isto é, com o
bem-estar perfeito ou — em termos menos técnicos — com a felicidade. (idem)
No entanto, o termo completo" também
pode ter um significado qualitativo. Quando dizemos que algo é um exemplar
completo de sua espécie, queremos dizer que possui todas as características que
o constituem. Por exemplo, um jantar completo é aquele que contém uma entrada,
um prato principal e uma sobremesa. (idem)
Assim, o bem-estar completo pode ser entendido como um
estado que abrange todas as características constitutivas do bem-estar. Estas
são, segundo a OMS, os aspectos físicos, mentais e sociais. O autor chama isso
de saúde holística. A OMS endossa uma visão holística da saúde, e não
uma visão perfeccionista. (idem)
A "Uma Só Saúde"
também conhecida como “Saúde Única”, é a tradução do termo em inglês “One
Health”, que se refere a uma abordagem integrada que reconhece a conexão
entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/u/uma-so-saude
institutolibio.org.br/o-papel-da-educacao-ambiental-na-saude-unica/↗
A abordagem de Uma Só Saúde propõe e incentiva
a comunicação, cooperação, coordenação e colaboração entre diferentes
disciplinas, profissionais, instituições e setores para fornecer soluções de
maneira mais abrangente e efetiva. (idem)
A implementação dessa abordagem favorece a cooperação, desde
o nível local até o nível global, para enfrentar desafios emergentes e
reemergentes, como pandemias, resistência antimicrobiana, mudanças climáticas e
outras ameaças à saúde. (idem)
Assim, a abordagem de Uma Só Saúde transcende
fronteiras disciplinares, setoriais e geográficas, buscando soluções
sustentáveis e integradas para promover a saúde dos seres humanos, animais
domésticos e silvestres, vegetais e o ambiente mais amplo (incluindo
ecossistemas). (idem)
Uma Só Saúde (ou também Saúde Única) Trata-se de uma abordagem que demanda "os esforços colaborativos de múltiplas disciplinas que trabalham local, nacional e globalmente, para alcançar a saúde ideal para as pessoas, animais e nosso meio ambiente", conforme definido pela Força-Tarefa da One Health Initiative (OHITF). https://pt.wikipedia.org/wiki/Uma_S%C3%B3_Sa%C3%BAde
Surgiu em resposta às evidências da propagação de DOENÇAS ZOONÓTICAS entre
espécies e à crescente percepção da interdependência entre a saúde humana e
animal, juntamente com as mudanças ecológicas. (Idem)
Sob essa perspectiva, a saúde pública não se
restringe mais apenas aos seres humanos. Devido ao ambiente compartilhado
e à fisiologia altamente conservada, animais e humanos não apenas
enfrentam as mesmas doenças zoonóticas, mas também podem ser tratados
com drogas estruturalmente relacionadas ou idênticas. (idem)
Portanto, é crucial evitar o tratamento desnecessário ou
excessivo de doenças zoonóticas, especialmente considerando a resistência a
medicamentos em micróbios infecciosos. (Idem)
Várias organizações em todo o mundo apoiam os objetivos
da Uma Só Saúde, incluindo a Secretaria de Vigilância em Saúde
Ambiental (MS), Centros de Controle e Prevenção de Doenças (USA), a Organização
para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, a Organização Mundial da
Saúde, a Organização Mundial de Saúde Animal, o Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente entre outros órgãos. (Idem)
A maior parte das devastadoras epidemias que já atingiram os
humanos teve origem em animais. E o curioso é que pouco se sabe sobre os
padrões globais de transmissão dessas doenças, o que dificulta a identificação
das zonas de risco e faz com que surtos deste tipo sejam imprevisíveis. Fonte:
Ver pesquisa completa
Entender como os animais estão distribuídos no mundo e por
que isso acontece pode não parecer ser aplicável a nossas vidas do dia a dia.
Mas prever onde a próxima doença zoonótica pode emergir depende exatamente
desse tipo de conhecimento científico. (idem)
A pesquisa revelou que morcegos carregam muito menos doenças
zoonóticas (25) do que roedores (85), carnívoros (83), primatas (61) e
mamíferos com cascos (59). (idem)
A pesquisa revelou que morcegos carregam muito menos doenças
zoonóticas (25) do que roedores (85), carnívoros (83), primatas (61) e
mamíferos com cascos (59). (idem)
Tem havido novos casos de raiva humana na Amazônia por
morcegos, mesmo que no restante do país os registros tenham diminuído.
(idem)
Outro dado da pesquisa é que mais de 10% das espécies de
roedores (244, de um total de 2.220) são hospedeiras de zoonoses e transportam
85 doenças. E, embora existam menos espécies de primatas, uma maior proporção
deles, 21%, é composta por hospedeiros zoonóticos (77 de 365). (idem)
Uma proporção maior de espécies que vivem em latitudes
setentrionais, como o Círculo Ártico, transportam zoonoses. Compreender as
implicações deste padrão, tendo em conta as tendências de aquecimento do clima,
será uma importante linha de investigação que deve ser abordada o mais cedo
possível.(idem)
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59148373
É preciso perceber que a atividade do homem influencia muito
o comportamento e distribuição de mamíferos. Os grandes focos de peste na
Rússia, por exemplo, foram produzidos por ratos, mas em consequência da
atividade humana: as plantações de trigo atraíam os roedores e, depois que o
trigo era colhido e não havia mais comida para os roedores, eles passaram a
atacar os humanos. (idem)
A Carta das Nações Unidas diz que estar em boa saúde é um
dos direitos fundamentais do ser humano, sem distinção de raça, religião,
ideologia, política ou condição econômica e social. Fonte: https://www.icict.fiocruz.br/noticias/direito-fundamental-saude-condicao-para-dignidade-humana
Perkins, 1938 diz que Saúde é um estado de relativo
equilíbrio, da forma e função do organismo, resultante do seu ajustamento
dinâmico e satisfatório, às forças que tendem perturba-lo. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/boletim_saude_v17n1.pdf
Quanto a este conceito não podemos esperar a existência de
uma condição estável de saúde ou de doença, mas de uma luta permanente entre o
organismo, o hospedeiro e as forças ou estímulos, de natureza variada, que
tentam romper o equilíbrio estabelecido ao nível que corresponde ao seu gráu de
saúde. (idem)
Torna-se, pois, indispensável à identificação das causas e a
descoberta do modo como participam do processo doença, para que se torne
possível uma ação efetiva, capaz de antagonizá-las e, por conseguinte, prevenir
seus efeitos. Fonte: Cad. Saúde Pública 11 (1) • Mar 1995
Prevenção em saúde pública é a ação antecipada com base no
conhecimento da história natural, tendo por objetivo interceptar ou anular a
evolução de uma doença. “Prevenir é prever antes que algo aconteça ou mesmo,
cuidar para que não aconteça” Fonte: Maria Zelia Rouquaryol, Epidemiologia
& Saúde, Fortaleza, 1983. 327 pp
Ao se estudar as razões pelas quais determinadas doenças
atingem uma população é fundamental identificar a história natural das doenças
que são as inter-relações dinâmicas entre o agente, o doente, o susceptível,
suas condições intrínsecas, o ambiente e as condições sócio-econômico-culturais
que afetam o processo saúde-doença. Fonte: Leavel, H & Clark, E.G.
medicina Preventiva. São Paulo, Mcgraw Hill, 1976. 744 pp
O conhecimento destes fatores torna a prevenção possível na
medida em que se removem fatores responsáveis pela doença.
Um dos importantes instrumentos usados em saúde pública para
identifica fatores geradores de um problema é a VIGILÂNCIA
EPIDEMIOLÓGICA.
http://Snptesdoorih1f4 c24m27m9uf38at12au2066 h4rlgcd
ftdeb200 ifhe ·
Tem como objetivos:
- Obter
informações acerca de doenças segundo a área geográfica, o tempo e os
agentes responsáveis.
- Recursos
disponíveis para seu controle, fatores ambientais relevantes, tanto
de natureza física como biológica e sócio-econômico-cultural.
- Processar
as informações obtidas como registro, análise, organização, interpretação
e publicação dos resultados gerando novos conhecimento pertinente à
realidade existente.
- Dentre
as características especiais do ambiente que interferem no
padrão de saúde da população estão os fatores biológicos, físicos e
químicos.
https://sanarmed.com/vigilancia-epidemiologica-e-notificacao-compulsoria/
http://vigilancia.saude.mg.gov.br/index.php/vigilancia-epidemiologica/
Em relação aos fatores de perigo biológico para a
saúde humana estão os vetores, agressores e reservatórios (sinantrópicos)
responsáveis pela transmissão de doenças e agravos à saúde.
As doenças transmitidas por sinantrópicos vão além da
simples relação entre agente e hospedeiro. Tem os aspectos relacionados ao
agente, sinantrópicos, susceptível e o ambiente onde se relacionam.
A prevenção está em remover fatores capazes de criar uma
condição inadequada ao equilíbrio saúde-doença.
Apenas o uso de químicos sem considerar os demais
aspectos não resolverá o problema, principalmente quando medidas são tomadas
apenas no momento da crise.
Vemos aqui em toda esta conceituação que existem três
fatores fundamentais que são o hospedeiro, o ambiente e o agente etiológico.
O HOSPEDEIRO
Uma pessoa ou animal vivo, incluindo aves e insetos, que
abriga ou subsiste a um agente infeccioso em condições naturais, necessitando
do hospedeiro para sobreviver, e em muitos casos, para se multiplicar, quando o
agente sai do hospedeiro e infecta outro indivíduo, o hospedeiro original passa
a ser uma fonte de infecção.
Hospedeiro definitivo: é o que apresenta o parasito em sua fase de
maturidade ou em fase de reprodução sexuada. Ex.: o hospedeiro definitivo
do Plasmodium é o Anopheles; os hospedeiros
definitivos do S. mansoni são os humanos. https://www.parasitologia.org.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=421
Hospedeiro intermediário: é aquele que apresenta o parasito em sua
fase larvária ou assexuada. Ex.: o caramujo é o hospedeiro intermediário
do S. mansoni. (idem)
Hospedeiro paratênico ou de transporte: é o hospedeiro intermediário no qual o parasito não sofre desenvolvimento ou reprodução, mas permanece viável até atingir novo hospedeiro definitivo.
Ex.: peixes maiores, que ingerem peixes menores contendo larvas plerocercóides
de Diphyllobotrium spp, que simplesmente transportam essas
larvas até que os humanos as ingiram (comer peixe cru). (idem)
Alguns protozoários e helmintos passam fases sucessivas em
hospedeiros alternados, de diferentes espécies.
O homem poderá tanto funcionar como hospedeiro intermediário
como definitivo dependendo da enfermidade. Por exemplo, na
teníase-cisticercose, o homem é HD com a tênia e HI com a larva encistada
(cisticerco).
Ser suscetível a doenças significa ter maior
probabilidade de contrair infecções ou desenvolver enfermidades devido à falta
de imunidade, resistência reduzida ou fatores de risco, como genética, idade
(idosos) e comorbidades. Um hospedeiro suscetível é um indivíduo
biologicamente vulnerável, tornando-se alvo mais fácil para patógenos quando
exposto, essencial na compreensão da história natural da doença.
Se o agente etiológico for um ser vivo, o suscetível pode se
denominar hospedeiro. A suscetibilidade tem a ver com fatores genéticos,
sócio-econômico-cultural, idade, sexo, cor da pele, etc.
Em relação ao hospedeiro temos que analisar que fatores
estão relacionados a ele e que necessitam serem analisados para ver sua relação
com o sinantrópico e a enfermidade e assim poder controlar a situação:
- Combate
aos sinantrópicos
- Problema
social
- Questão
educativa
- Diagnóstico
diferencial e exames laboratoriais
- Proximidade
de focos
- Saneamento
- Conhecimento
dos problemas
- Cuidados
com o peridomicílio
- Movimentos
comunitários
- Busca
por atendimento médico
- Identificação
de focos
- Controle
focal, perifocal e ambiental
- Uso
de inseticidas adequados
- Uso
de equipamentos adequados
- Vigilância
entomológica, epidemiológica e virológica permanente
- Ecologia
do vetor
- Educação
para a saúde
- Polícia
sanitária
- Programas
de combate permanente
- Influência
do clima
https://mooc.campusvirtual.fiocruz.br/rea/uma-so-saude/modulo1/modulo1-aula3.html
O AMBIENTE
O ambiente é o conjunto de todos os fatores que mantem
relações interativas com o agente etiológico, o susceptível e o sinantrópico,
incluindo o meio físico, biológico, químico e social que favorecem ou não as
condições de vida, manutenção biológica e transmissibilidade de todos os
envolvidos na presença ou não de doença.
Este ambiente poderá oferecer condições de manutenção de
determinado sinantrópico de forma a que possa transmitir agentes patogênicos ou
agressões.
FATORES FÍSICOS
Como umidade, temperatura, pluviosidade, radiações,
latitude, longitude, relevo, composição do solo, coleções de água, ventos, etc.
são fatores que influenciam as condições de saúde da população, do agente e do
sinantrópico.
Exemplo marcantes são dados por doenças transmitidas por
vetores onde a existência do vetor e do agente no seu organismo depende do
comportamento de quase todos os fatores acima relacionados.
As mudanças climáticas — combinadas com fatores antrópicos
(ação humana) como urbanização deficiente e mobilidade global — potencializam
esses fatores físicos, permitindo a expansão geográfica e o aumento sazonal de
surtos de doenças. Fonte: https://wellcome.org/insights/articles/how-climate-change-affects-vector-borne-diseases
Os fatores físicos ambientais que sustentam e propagam
doenças causadas por vetores (como dengue, malária, Zika, chikungunya e
leishmaniose) estão intrinsecamente ligados ao clima, influenciando o ciclo de
vida, a reprodução e a sobrevivência dos vetores, que são geralmente artrópodes
ectotérmicos (insetos que dependem do calor ambiental). Fonte:
Ver pesquisa completa.
Os principais fatores físicos incluem:
Temperatura Elevada: É um dos fatores mais críticos. Temperaturas
mais altas aceleram o ciclo reprodutivo dos mosquitos, encurtam o tempo de
desenvolvimento das larvas e reduzem o período de incubação do patógeno (vírus
ou parasita) dentro do vetor, acelerando a transmissão. Temperaturas entre 6°C
e 40°C geralmente permitem a sobrevivência dos vetores, sendo a faixa de 18°C a
31°C ideal para mosquitos da dengue. Fonte: Ver
pesquisa completa.
Precipitação (Chuvas): O aumento da pluviosidade cria locais com
água parada, essenciais para a reprodução de mosquitos, como o Aedes
aegypti e Anopheles. Inundações podem aumentar a
abundância de vetores, enquanto secas prolongadas também podem favorecer
doenças, forçando as pessoas a armazenar água de forma inadequada, gerando
criadouros. (Idem)
Umidade Relativa do Ar: Níveis elevados de umidade previnem a
dessecação dos vetores, aumentando sua taxa de sobrevivência e atividades de
picada. (Idem)
(Idem)
Uso e Cobertura do Solo: Alterações ambientais, como
desmatamento, urbanização acelerada e desordenada, mineração e mudanças na
agricultura, alteram os habitats naturais, muitas vezes aproximando os vetores
dos seres humanos. (Idem)
Altitude: A temperatura mais baixa em altitudes
elevadas historicamente limitava a presença de vetores. No entanto, o
aquecimento global tem permitido que vetores, como o Aedes e Anopheles,
se adaptem e expandam para áreas mais altas e latitudes anteriormente
frias. (Idem)
Além dos exemplos clássicos fornecidos pela malária,
filariose e arboviroses é interessante lembrar a ausência da tripanossomíase
africana (doença do sono); não só fontes de infecção como as moscas tsé-tsé,
foram introduzidas no Brasil, mas a doença não existe pois o vetor não
encontrou condições do meio favoráveis à sua instalação.
Vale lembrar que muitos vetores se adaptam às variações do
estado físico do ambiente se mantendo em épocas não comuns. É o caso do
borrachudo (Simulídeos), que hoje, no RS, agride o homem durante o ano todo e
em diferentes horários.
É o caso do Aedes aegypti que se desenvolve
em águas poluídas e não apenas em águas limpas. O que levou o MS demorar para
seu combate pois informava que o vetor se desenvolvia apenas em águas limpas
enquanto estava se desenvolvendo também em águas suja ou contaminada, como
esgotos, fossas, bocas de lobo e água com matéria orgânica.
FATORES
QUÍMICOS
Os fatores químicos ambientais desempenham um papel crucial,
tanto na promoção quanto na inibição, da presença de vetores (mosquitos,
carrapatos, roedores) e, consequentemente, na transmissão de doenças como
dengue, malária, leishmaniose e doença de Lyme. A contaminação do ar, água e
solo devido a atividades humanas (antropogênicas) altera os ecossistemas,
criando ambientes propícios para a reprodução desses vetores. Fonte: Ver
pesquisa completa
O descarte de resíduos industriais e orgânicos em corpos
d'água pode aumentar a quantidade de nutrientes (eutrofização), favorecendo a
proliferação de larvas de mosquitos e a sobrevivência de microrganismos
patogênicos. (Idem)
A poluição atmosférica leva ao aumento da temperatura
global, o que acelera o ciclo de vida dos vetores (reprodução mais rápida) e
aumenta a taxa de picadas, resultando em mais doenças como dengue e malária. (Idem)
O acúmulo de lixo orgânico e efluentes industriais
descaracteriza o ecossistema, permitindo que sinantrópicos (que vivem próximos
a humanos), como ratos, proliferem, aumentando casos de leptospirose. (Idem)
FATORES
SÓCIO-ECONÔMICOS-CULTURAIS
São tão importantes quanto os físicos, químicos e biológicos
no condicionamento da saúde ou doença.
O desenvolvimento de doenças transmitidas por animais
sinantrópicos — aqueles que convivem com o ser humano sem serem domesticados,
como ratos, pombos, mosquitos, baratas e morcegos — é intensamente influenciado
por fatores socioeconômicos e culturais. A precarização do ambiente urbano, a
falta de saneamento básico e hábitos culturais de higiene são determinantes
cruciais. Fonte:
ver pesquisa completa
A ausência de coleta de lixo, rede de esgoto e abastecimento
de água potável cria um ambiente ideal para a proliferação de sinantrópicos
como ratos (transmissores de leptospirose) e baratas. O manejo inadequado de
resíduos sólidos (lixo) é um fator direto na disponibilidade de alimentos e
abrigo. (idem)
Moradias em áreas de risco (encostas, próximo a
córregos) e a alta densidade populacional em áreas periféricas facilitam a
transmissão de zoonoses, pois aumentam o contato humano com vetores. (Idem)
Hábitos de higiene doméstica e a falta de educação em
saúde sobre o armazenamento correto de alimentos e o acondicionamento de lixo
favorecem a atração de vetores. A conscientização da população é fundamental
para o controle desses animais, que são "convidados" pelo homem
através da disponibilidade de água, abrigo e alimento. (Idem)
O rápido crescimento das cidades sem planejamento ambiental
altera ecossistemas, eliminando predadores naturais e oferecendo nichos
artificiais para espécies sinantrópicas, resultando no aumento de arboviroses
(dengue, chikungunya). (Idem)
FATORES
BIOLÓGICOS
Os fatores biológicos que influenciam a relação entre
animais sinantrópicos (aqueles que vivem próximos ao ser humano, como ratos,
baratas, pombos e mosquitos) e agentes etiológicos (bactérias, vírus,
parasitas) envolvem, primordialmente, características evolutivas e ecológicas
que facilitam a transmissão de zoonoses.
Sinantrópicos possuem grande flexibilidade biológica,
permitindo-lhes prosperar em ambientes modificados pelo homem (zonas urbanas),
com dieta variada e resistência a mudanças ambientais.
Por outro lado as características da flora que provem
condições de sobrevida a elementos da cadeia de transmissão como a flora onde
algumas espécies mantêm água no seu interior (bromélias) permitindo o
desenvolvimento larval de mosquitos.
É a vegetação rasteira que permite a localização de
carrapatos facilitando seu deslocamento para animais onde se instala como
parasita ou vetor (febre maculosa).
Muitas espécies, como roedores e baratas, possuem ciclos
reprodutivos rápidos e curtos, resultando em infestações rápidas e maior
densidade populacional, o que aumenta a probabilidade de contato com agentes
patogênicos.
Exemplos marcantes são dados pelo processo de urbanização,
pelas atividades agropastoris, pelas obras que alteram o sistema hidrográfico e
a topografia, com consequencias favoráveis, ou, em certos casos, desfavoráveis,
para a saúde do homem.
O hábito noturno, a onivoria (comer de tudo) e a busca por
abrigo em frestas ou estruturas humanas favorecem a interação íntima entre
sinantrópicos e humanos. Alguns sinantrópicos desenvolveram resistência a
doenças que carregam, tornando-se hospedeiros eficientes a longo prazo.
Os seguintes fatores tem que ser identificados como
possíveis de serem responsáveis pela presença, manutenção e permanência do
vetor/reservatório, do hospedeiro e do agente:
1.
Temperatura
2. Chuvas
3. Aumento do número de focos
4. Repasto sanguíneo
5. Densidade populacional
6. Aumento da viremia
7. Aumento da capacidade de transmissão
8. Longevidade do agente etiológico dentro do vetor
9. Tempo que o vetor tem para transmitir depois de infectado
10. Presença de infectados
Esses fatores, combinados com a disponibilidade de abrigo, água e
alimento em áreas humanas, seja no ambiente urbano como rural, criam um
ambiente propício para a manutenção e disseminação de enfermidades.
O AGENTE ETIOLÓGICO
Etiologia é um substantivo grego que significa o estudo das
causas. Não é específica de uma determinada ciência mas está presente na
Biologia, Criminologia, Medicina, Psicologia por possuírem em seu campo de
atuação a busca das causas que deram origem ao seu objeto de estudo. É
uma espécie de ciência das causas. O conceito abrange toda a
pesquisa que busca as causas de determinado objeto ou conhecimento.
Nas ciências que tem como objeto de estudo as doenças a etiologia
se preocupa com as causas destas doenças: os agentes ou fatores causais de
doença, a sua proveniência endógena ou exógena, o papel que desempenham na
causalidade multifatorial das doenças e o seu potencial agressivo ou
virulência.
Neste sentido derivou o adjetivo etiológico, agente etiológico,
como sendo aquele que é o fator responsável por causar uma doença, agravo ou
lesão. Alguns agentes etiológicos são de natureza inanimada tais como: as
radiações, os poluentes químicos do ar, da água, do solo, dos alimentos, drogas
usadas como remédios ou por vício, álcool, fumo, aditivos químicos dos
alimentos e inseticidas entre outros.
O agente etiológico é o organismo ou fator responsável por
causar diretamente uma doença, desencadeando sinais e sintomas no hospedeiro.
Também chamado de agente causador ou patógeno, pode incluir vírus, bactérias,
fungos, protozoários, helmintos (vermes) ou agentes físicos/químicos. Fonte:
Ver pesquisa completa
Um escorpião ou uma aranha, ao causar um acidente peçonhento
(envenenamento), pode ser considerado o agente
etiológico (ou agente causador) do agravo, mesmo que não transmita
doenças infecciosas como vírus ou bactérias. Embora não causem uma
"infecção" (doença infecciosa), esses aracnídeos produzem um
"agravo à saúde" (envenenamento ou acidente peçonhento), que pode ser
leve, moderado ou grave. O veneno injetado contém moléculas, como
peptídeos neurotóxicos, que causam reações imediatas (dor, sudorese, arritmias),
agindo diretamente nas funções vitais do hospedeiro. Fonte: Ver
pesquisa completa.
Tecnicamente, mosquitos além de vetores podem ser considerados
agentes etiológicos de uma reação alergica embora não seja o agente causador de
uma infecção (como vírus ou bactérias). Na medicina, um agente etiológico
é qualquer fator (biológico, físico ou químico) capaz de iniciar uma doença ou
condição patológica. No caso de alergias severas à picada de mosquito, os
componentes da saliva do inseto agem como os
agentes etiológicos que desencadeiam a resposta imune. Fonte: Ver
pesquisa completa.
As proteínas e enzimas presentes na saliva do mosquito são o
"agente" que provoca a reação alérgica (hipersensibilidade) em
pessoas suscetíveis. Diferente de Dengue ou Zika, a reação alérgica (prurigo
estrófulo) é uma reação do sistema imunológico a um agente externo, não uma
replicação de um vírus ou bactéria dentro do hospedeiro (Idem).
A picada inocula substâncias que, em pessoas alérgicas, ativam
mastócitos e liberam histamina, causando inchaço, coceira intensa, vermelhidão
e, por vezes, bolhas (prurigo estrófulo). Embora não transmita doença
infecciosa, a picada pode causar uma "lesão" física e alérgica
severa, muitas vezes tratada com antialérgicos ou corticoides.
Portanto, para o quadro clínico de alergia, o mosquito é o agente
etiológico (biológico) daquela inflamação, mesmo que não seja vetor de
doenças infecciosas.
Nas doenças transmissíveis e zoonoses, estes agentes são seres
vivos. Na sua luta pela sobrevivência, organismos vivos parasitam outros
organismos vivos, espoliando-os e produzindo enfermidades.
Fonte:
Visualizar pesquisa total
Pertencem a esta categoria os virus,
riquétsias, bactérias, fungos, protozoários, helmintos e outros mais, são seres
vivos de vida parasitária obrigatória ou não.
É possível enquadrar nesta categoria
alguns animais de vida parasitária exclusiva ou não como pulgas, carrapatos,
simulídeos, mosquitos fêmeas que precisam de sangue após sua fecundação pois
mesmo não transmitindo algum agente no momento da espoliação estão causando
danos.
Neste sentido poderíamos dizer que estes
insetos e aracnídeos estão, neste momento funcionando não como um vetor, mas
como um agente etiológico.
Nas doenças transmissíveis, a compreensão
deste fenômeno está na dependência do conhecimento das respostas para as
seguintes questões:
- O que?
- De onde?
- Para onde?
- Por que meios?
Em que pese ser a doença um processo multicasual, para o
qual concorrem inúmeros fatores, no caso particular das doenças transmissíveis,
a presença ou ausência do agente específico configura-se como condição
fundamental para a manifestação da doença, pois se a presença dele nem sempre é
suficiente para o estabelecimento da doença, essa não ocorre sem a sua
participação.
Neste caso o agente é um determinante indispensável mas não
necessariamente suficiente para o desenvolvimento da doença infecciosa.
Sob o ponto de vista epidemiológico as propriedades dos bioagentes que mais importam são as que regem sua relação com o hospedeiro e as que contribuem para o aparecimento de doença como produto desta relação bem como as condições de sobrevivência na natureza: Fonte: Ver pesquisa completa
1. INFECTIVIDADE: É a capacidade do agente de causar infecção, ou seja, de invadir, instalar-se e multiplicar-se nos tecidos do indivíduo. Seu conhecimento permite prever a intensidade de propagação da doença na população. (Idem)
2. PATOGENICIDADE: É a capacidade do agente em desenvolver efeitos
maléficos, isto é, agravos, ao organismo hospedeiro. É identificada pela
frequência da manifestação na população e definida como um número. (Idem)
3. VIRULÊNCIA: Corresponde
à intensidade da manifestação clínica da doença, traduzida pelo gráu de
severidade do agravo ou dano acarretado ao hospedeiro. (Idem)
4. CAPACIDADE
IMUNOGÊNICA: É representada
pelo potencial do agente em provocar, no hospedeiro, um estímulo
imunitário específico. (Idem)
5. RESISTÊNCIA: É a habilidade do agente em superar as
adversidades do ambiente, especificamente as influências deletérias do meio
quando na ausência do parasitismo, isto é, fora do organismo do hospedeiro mas
também a resistência do agente aos fatores de defesa orgânico.
6. PERSISTÊNCIA: reflete
a capacidade de um agente, uma vez introduzido numa população, permanecer por
tempo prolongado ou indefinidamente. É uma característica estreitamente
relacionada ás demais citadas anteriormente.
O que devemos observar em relação ao agente etiológico?
1. Se sobrevive fora do hospedeiro
2. Fontes de contaminação
3. Mecanismo de transmissão
4. Infectividade
5. Virulência
6. Patogenicidade
7. Longevidade
8. Persistência
9. Resistência
10. Capacidade antigênica
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