“Uma análise histórica dos inseticidas desde sua origem natural e sua incorporação industrial passando pelo uso como pigmentos artísticos passando para sua consolidação como ferramenta militar, agrícola e sanitária”.
A história dos inseticidas começa na antiguidade. Mesmo nos
anos antes de Cristo os povos da China, da Grécia e da Suméria já se tinham
apercebido do efeito de alguns sais inorgânicos no combate aos insetos nas suas
colheitas. O conhecimento era empírico, baseado na observação dos efeitos de
certas substâncias sobre pragas.
China antiga (≈ 1000 a.C.)
A China antiga, especialmente a partir da Dinastia Zhou (aprox. 1000 a.C.),
possui registros históricos notáveis sobre o manejo de pragas na agricultura,
utilizando métodos minerais e botânicos. Registros indicam o uso de
enxofre inorgânico, mercúrio e compostos de arsênico para combater insetos em
plantações e armazenamentos de grãos. O enxofre, em particular, foi utilizado
não só para pragas agrícolas, mas também como fumegante (queimado) para
controlar piolhos e insetos. Pesquisa ajuda IA
Gemini)
Tabletes cuneiformes indicam o uso de enxofre queimado como fumigante
para afastar insetos e outros organismos indesejáveis, especialmente em
ambientes de armazenamento. Pesquisa ajuda IA
gemini)
Egito Antigo (aproximadamente entre 3200 a.C. e 30 a.C.
Arqueólogos encontraram concentrações de cinzas escuras e densas ao redor de
silos de tijolos de barro no Egito (como no Reino Antigo em Gizé), indicando
que as cinzas eram usadas como uma barreira física e inseticida, causando
desidratação em insetos. (Pesquisa ajuda IA
Gemini)
Os egípcios enfrentavam pragas graves em seus grãos, como
besouros (ex: Sitophilus oryzae, Tenebroides mauritanicus),
encontrados em escavações de locais de armazenamento.
O uso de cinzas, poeira de solo e sementes oleaginosas para
proteção de alimentos secos remonta a meados do segundo milênio a.C. no Antigo
Oriente e Egito.
Além de cinzas, o próprio design dos silos (fechados e de
barro) e o armazenamento de grãos com as espigas (não debulhados) ajudavam a
diminuir a infestação.
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Grécia e Roma antigas (aproximadamente entre 800 a 701 a.C. e 401 a 500 d.C.)
Autores como Homero, Aristóteles e Plínio, o Velho mencionaram o uso de
enxofre, óleos, resinas e cinzas no controle de pragas agrícolas. O enxofre, em
especial, tornou-se um dos primeiros inseticidas e fungicidas “clássicos” (Pesquisa
junto IA
Gemini).
Os romanos antigos já usavam fumaça da queima de enxofre
para controlar pulgões que atacavam as plantações de trigo.
Compostos orgânicos naturais como a piretrina, obtida das
flores do crisântemo eram utilizados como inseticidas pelos chineses cerca
de 2.000 anos atrás. atrás.
Chrysanthemum cinerariaefolium
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Mais tarde perceberam também que certas plantas funcionavam perfeitamente como um veneno potente para a maioria dos vertebrados e invertebrados, embora não tivessem a menor idéia de quais as substâncias ativas que elas continham. Uma dessas substâncias era a nicotina extraída da planta Nicotina tabacum ou a rotenona extraída da raiz do timbó (Derris sp).
O Ponto de Virada foi apenas no final do século XIX onde pesticidas químicos
mais "modernos" e inorgânicos, como o "verde de Paris"
(arsenito de cobre) e a calda bordalesa (sulfato de cobre e cal), começaram a
ser desenvolvidos e aplicados de forma mais científica. (Pesquisa
junto ao Gemni ai).
O uso “oficial” de pesticidas começou neste mesmo período (final
do século XIX), com a comercialização de alguns sais inorgânicos no
combate às espécies de besouros que afetavam as plantações de batatas. No
entanto a maioria destes sais eram tão tóxicos para as pragas como para o homem.
(Pesquisa
junto ao IA Gemini).
Apenas em 1867 (final do século XIX) o Verde de Paris ou
Paris Green foi introduzido no combate a pragas, sendo o principal inseticida
para combater o besouro da batata no Colorado (Leptinotarsa decemlineata).
Em 1900 era usado em tão larga escala que levou o governo
dos Estados Unidos da América a estabelecer a primeira legislação no país sobre
o uso de inseticidas (Fonte:
Dissertação Mestrado, pg.19, 2011).
O Verde de Paris foi o primeiro e mais emblemático pesticida sintético
inorgânico, e tem uma história bastante peculiar. Mais tarde vamos fazer uma
postagem sobre esta tinta que se tornou um inseticida bem controverso. Acredito
que seja o mais controverso existente. Muito mais que o DDT.
Fonte: https://arteref.com/pintura/uma-breve-historia-do-verde-na-arte/
Verde
de Paris é o nome de um composto à base de arsênico e cobre descoberto em 1808,
mas comercializado em 1814, não como pesticida, mas como um pigmento para
tintas, devido à cor verde intensa. wikipedia
Só após se atribuir a culpa ao Verde de Paris pelos
envenenamentos de algumas pessoas que pintavam quadros é que o composto foi
completamente banido das tintas estando inserido em inúmeros quadros pintados
durante o século XIX (idem).
Sua história começa no século XVIII e XIX onde surgiu na
Europa uma cor que causou fascínio, entretanto deve-se desdobrar a invenção
deste belo verde brilhante que despertou o interesse de várias pessoas,
pintores, doceiras e tudo que se podia tingir. (Fonte: Wikipedia)
Apesar de ficar conhecido como Verde Paris, denominação esta
que se deve à popularidade e ao uso intenso deste pigmento na cidade de Paris
durante o século XIX, tornando-se uma cor de moda e decoração icônica na época,
foi criada na Suécia e depois na Alemanha e em 1867, o pigmento foi batizado de
verde Paris e oficialmente reconhecido como o primeiro inseticida químico do
mundo (Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Paris_green)
O "Verde Paris" foi amplamente utilizado como
veneno para controlar a população de ratos nos esgotos e subterrâneos de Paris
durante o século XIX e início do século XX (Pesquisa junto ao
IA Gemini) .
Além de ratos, foi um dos primeiros inseticidas agrícolas
amplamente utilizados, inclusive contra besouros e no controle de larvas de
mosquitos, chegando a ser pulverizado por aviões em partes da Itália e França
durante as campanhas antimalária na década de 1940. (Pesquisa
junto ao Gemini ai)
Na realidade são dois compostos diferentes:
Verde Scheele (1775): Foi criado pelo químico
sueco Carl Wilhelm Scheele em 1775. É o arsenito de cobre, conhecido por
ser extremamente tóxico e popular na era vitoriana para tingir papéis de
parede, tecidos e até doces (Fonte: Sumidoiro's
blog).
Remetendo à sua antiguidade, três livros foram descobertos
na biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca, impregnados pelo veneno.
Duas são obras de história e uma biográfica, datadas de períodos que vão dos
séculos XVI ao XVII. Logo em seguida, quando especialistas as examinaram,
chegaram à conclusão de que o colorido esverdeado de arsênico seria uma
preservação contra insetos. (Fonte: google.com/search)
(Fonte: National
geographic)
Durante o período de confinamento, Napoleão habitou um
quarto luxuoso pintado e decorado com o tal verde. Por isso, especula-se, ali
teria desenvolvido um câncer no estômago ou, na melhor das hipóteses, algumas
úlceras. Dando força a essa hipótese, mais tarde, ao analisarem amostras de
seus cabelos, neles encontraram expressivas quantidades de arsênico. Há o
entendimento de que os papéis, ao absorverem umidade, ficavam sujeitos a uma
reação química com desprendimento de gases de arsênico no ar (Fonte: Google.com/search).
Fonte: https://sainthelenaisland.info/longwoodhouse.htm
Verde Schweinfurt/Paris (1814): Este pigmento
foi desenvolvido mais tarde, na Alemanha, para uma empresa na cidade bávara
de Schweinfurt em 1814 pelos fabricantes de tintas Wilhelm Sattler
e Friedrich Russ um verde de Scheele aperfeiçoado, mas a mesma toxicidade e
começou sua trajetória como uma inovação promissora na indústria que também
possuía utilidade como raticida e inseticida (Fonte: https://sumidoiro.wordpress.com/2021/07/).
Embora relacionado ao Verde de Scheele, ele foi desenvolvido
para ser mais estável e brilhante (acetoarsenito de cobre), sendo
frequentemente chamado de Verde de Paris ou Verde de Schweinfurt (idem).
Além de ser belíssimo, o pigmento era relativamente barato e
se espalhou rapidamente por toda a Europa. Só havia um detalhe: sua fórmula
continha arsênico. Era belo, mas perigoso (idem).
Em 1927 um técnico dos cursos da Faculdade de Medicina de
Paris, J. P Barruel, foi encarregado de examinar alguns bombons colorido de
verde fornecido por um confeiteiro da cidade, constatando a presença de
arsenito de cobre (idem).
A Gazeta Médica da Belgica em 1847 informou que uma criança
de seis anos faleceu depois de comer bombons coloridos de verde (Idem).
O pigmento não era usado apenas em papéis de parede. As
crianças da época consumiam guloseimas e doces que, por moda, eram
frequentemente embrulhados em papel verde esmeralda ou decorados com o mesmo
corante (idem).
Relatos da época, como os citados no The Lancet em
1858, descrevem mortes de crianças após a inalação ou ingestão de pigmento que
descascava do papel de parede ou embalagens (idem)
Durante a industrialização do século XIX, o consumo de
produtos coloridos e industrializados cresceu. Doces, bolos e guloseimas,
especialmente os "estilo Natal" (com cores vivas), muitas vezes
usavam o Verde de Paris/Schweinfurt para destacar o produto (idem).
Em 31 de outubro de 1858, essa guloseima, pastilhas de
hortelã-pimenta, normalmente inofensiva matou várias crianças, causando pânico
em Bradford e um rápido aumento no número de mortes (Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/czq7q1ex5ewo)
Estas balas eram comercializadas em uma barraca pertencente
a Hamburgo Billy conhecido como "Billy da bala de hortelã", no
mercado local. O mercado Kirkgate foi construido no local onde funcionava o
mercado Verde onde Hamburgo Billy vendeu os doces (idem)
Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/czq7q1ex5ewo
O cirurgião John Roberts achou que os sintomas - vômitos e
convulsões - eram compatíveis com a doença, que era comum na Inglaterra (idem).
Foi o Dr. John Henry Bell quem suspeitou dos doces quando
chegou à Rua Jowett por volta das 15h.(idem)
Uma hora depois, o pai de Joseph Scott saiu de casa, na Rua
da Ferrovia, para buscar um médico para seu filho de 14 anos, que subitamente
passou mal. Quando voltou, já era tarde demais (idem).
Orlando Burran, de cinco anos, e seu irmão John Henry, de
três, estavam mortos diante dele; o pai e outras duas pessoas da mesma casa
também estavam doentes naquela manhã, e todos haviam comido as balas de hortelã
(idem)
Quando o químico Felix Rimmington analisou os doces, ele
declarou, na investigação, que havia encontrado trióxido de arsenio em
abundância — em quantidade suficiente para matar (idem).
(Fonte: BBC) Á
esquerda o Dr. John Henry Bell e à direita o farmacêutico Felix
Marsh Rimmington
Este trióxido de arsênio é o mesmo usado para fazer o Verde
de Paris e o verde de Scheele.
Um caso famoso registrado foi em Bradford (1858), onde um
confeiteiro misturou arsênio por engano em balas, resultando em 21 crianças
mortas e 78 gravemente doentes
Em pouco tempo, tornou-se a última moda em Paris. O Verde de
Paris passou a colorir papéis de parede, vestuário, cortinas, tapetes, louças e
até doces, ou seja, tudo o que se podia tingir.
O problema é que ele liberava pós e gases tóxicos,
provocando dores de cabeça, vômitos, problemas respiratórios e, em alguns
casos, a morte. Em Londres, médicos vitorianos começaram a perceber o padrão e
alertar a alta sociedade: o verde estava envenenando famílias sem que elas
percebessem.
No fim do século XIX, com o avanço da química, o pigmento
foi substituído por versões mais seguras, mas não sem deixar um legado
sombrio. Ainda hoje, o Verde de Paris é lembrado como uma das cores
mais belas já criadas (Blog Cozinha Retrô, 2025).
Além de estar presente em louças, toalhas e utensílios, o
Verde de Paris também era usado para colorir bolos e doces. Há registros
de casos de intoxicação após banquetes da alta sociedade. Muitas vezes, o
pigmento também estava nos papéis de parede e tapetes, o que fazia com que
jantares inteiros ocorressem em uma atmosfera esverdejante, bela e tóxica
(idem).
Um pigmento verde tóxico já foi usado para colorir tudo, de
flores falsas a capas de livros. Agora, uma museóloga trabalha para rastrear os
volumes nocivos (Fonte: National
Geographic).
Bibliotecas e coleções de livros raros geralmente carregam
volumes que apresentam venenos em suas páginas, indo de famosos mistérios de
assassinato a obras seminais sobre toxicologia e estudos forense. Os venenos
descritos nessas obras são apenas palavras em uma página, mas alguns livros
espalhados pelo mundo são, literalmente, venenosos (Idem).
Esses livros tóxicos, produzidos no século 19, são
encadernados em tecido vívido colorido com um pigmento verde esmeralda
misturado com arsênico. Muitos deles passam despercebidos nas prateleiras e nas
coleções (Idem).
Pensando nisso, Melissa Tedone, chefe do laboratório de
conservação de materiais de biblioteca no Museu, Jardim e Biblioteca de
Winterthur, em Delaware, Estados Unidos, lançou o projeto Livro
Venenoso para localizar e catalogar esses volumes nocivos (Idem).
(Fonte: X)
Até o momento, a
equipe descobriu 88 livros do século 19 contendo a cor verde esmeralda
(Verde Paris). Setenta são cobertos com um papel verde vívido, e o restante tem
o pigmento incorporado em rótulos de papel ou elementos decorativos. Tedone até
encontrou um livro verde esmeralda à venda em uma livraria local, que ela
rapidamente comprou (Idem).
Qualquer biblioteca que colecione publicações com capas de
tecido de meados do século 19 provavelmente terá pelo menos um ou dois (Idem).
Van Gogh era um dos que amava o tom e o usou em várias
telas, como no Autorretrato dedicado a Paul Gauguin — outro
admirador do pigmento. Especialistas em arte também apontam o Verde de
Paris como possível causa da cegueira de Claude Monet e
dos problemas de saúde de Cézanne (Fonte: Blog
Cozinha Retrô, 2025)
|
(Fonte: https://sumidoiro.wordpress.com/2021/07/01/verde-assassino/)
Mistura de "verde parisiense" e poeira de estrada
como preparação para pulverizar riachos e criadouros de mosquitos durante a Segunda
Guerra Mundial (Fonte: Google.com/search).
Este era o princípio do que mais tarde ficou conhecido como a preparação do granulado Temephos, para controlar mosquitos principalmente onde havia muita vegetação
(Fonte: Wikipedia)
Assim, ao final do século XIX e nas três primeiras décadas do século XX ocorre um grande avanço no uso de produtos químicos inorgânicos ou de origem mineral para a proteção de plantas contra pragas e doenças.
Estes vieram a compor a chamada Primeira Geração de
Agrotóxicos, que se refere à época anterior a 1867, época em que se utilizavam
produtos odoríficos ou irritantes, tais como excrementos como adubo, cinzas de
madeira como repelentes, mas também se começava a utilizar enxofre, rotenona,
piretro, nicotina, óleos animais ou de petróleo (Fonte: Tecnologia
de aplicação de inseticidas, vol 8, pg 02)
Em 1882, descobriu-se que uma mistura de sulfato de cobre e
cal - Mistura Bordeaux (Calda Bordalesa) - era um excelente fungicida para o
controle de uma doença em videira denominada míldio (Plasmopara viticula)
(idem).
Fonte: Tecnologia de aplicação de inseticidas)
Em 1890, um pó contendo mercúrio começou a ser utilizado para tratamento de sementes e, em 1915, foi desenvolvida uma formulação líquida para ser utilizada em controle de doenças fúngicas e tratamento de sementes.
A partir da I guerra mundial, final da década de 30, foram
desenvolvidos agentes nervosos, mais letais que os agentes químicos
iniciado pelo gás cloro desenvolvido pelo chefe do serviço de guerra
química alemã Fritz Habe (Lei de Haber – relação entre tempo de exposição e
concentração), Prêmio Nobel em química de 1918 - cianeto de hidrogênio, cloreto
de cianogênio, gás mostarda, etc. Dentre as principais experiências envolvendo
estes agentes nervosos, destacam-se os estudos do Tabun (GA), e o
organofosforado Sarin (GB) (Fonte: Armas químicas)
(Fonte: https://gohighbrow.com/fritz-haber-2/)
Na década de 50,
diversas companhias químicas e outros cientistas trabalhando independentemente
descobriram uma classe de ésteres organofosforados altamente letais, agentes
nervosos ainda mais tóxicos e persistentes que os do tipo-G, classificados como
agentes nervosos tipo-V com estrutura similar aos inseticidas. Dentre eles
pode-se citar o VX e a sua versão russa, o Russian-VX ou R-VX (Fonte: Armas químicas).
Estes compostos organofosforados atuam da mesma forma que os inseticidas organofosforados, ou seja, atuam inibindo a ação da acetilcolinesterase. Com apenas uma gota na pele, o agente nervoso VX pode matar um ser humano em poucos minutos (idem)
O
terceiro período inicia-se a partir de 1939, com a era dos organosintéticos com
o DDT.
(Fonte:
Stckholm Convention)
Até que o suiço Paul Herman Muller, da Geigy,
tropeçar nele em 1939 quando procurava um inseticida capaz de matar o Anopheles
sp causador da malária que desde os tempos primitivos flagela a
espécie humana. Com esta descoberta ganhou o prêmio Nobel de medicina em 1948 (Fonte:
Portal
Unicamp).
(Fonte: wikipedia)
O DDT iniciou seu uso durante a II Grande Guerra para matar os piolhos que atacavam as tropas nas trincheiras (Fonte: POPs).
(Fonte: CDC)
Com o fim da guerra a indústria química procurou uma nova utilização para as toneladas que tinha em estoque. O alvo foram os insetos que atacavam as produções agrícolas e na sequência os insetos que transmitiam doenças (Fonte: Pesquisa junto ao Gemini IA).
Sem dúvida alguma foi o pesticida de maior importância histórica, devido ao seu
impacto ambiental, na agricultura e saúde humana.
Este composto, surpreendentemente, demonstrava ser eficaz contra uma vasta gama
de insetos, o que levou a uma rápida comercialização e a um uso vastíssimo na
década de 60.
O DDT
(diclorodifeniltricloroetano) foi chamado de "salva-vidas" (e até
considerado um produto "milagroso") principalmente por causa de sua
eficácia sem precedentes no controle de insetos transmissores de doenças letais
durante e logo após a Segunda Guerra Mundial (Fonte. IA
Gemini)
Durante a Segunda Guerra Mundial, o DDT foi amplamente
utilizado para proteger tropas aliadas e populações civis de doenças como
malária (transmitida por mosquitos)
e tifo (transmitido por piolhos). A sua aplicação foi
fundamental para conter surtos, como o de tifo em Nápoles, Itália, em 1944 (Idem)
Fonte:
Jornal da Unicamp)
O DDT era altamente eficaz, de longa duração (residual) e
barato para produzir. Isso permitiu a pulverização em grande escala em áreas
residenciais e acampamentos militares para eliminar mosquitos (Idem)..
Embora tenha sido uma ferramenta fundamental na saúde
pública na década de 1940 e 50, o uso indiscriminado do DDT foi posteriormente
proibido na maioria dos países, incluindo os EUA em 1972, devido aos seus
impactos adversos ao meio ambiente e à saúde humana, como a bioacumulação e
riscos de câncer (Idem)..
O impacto do DDT na saúde humana recebeu atenção mundial do
público em geral e das comunidades política e científica, com a publicação de
Primavera Silenciosa, de Rachel Carson. No ivro Primavera Silenciosa, Carson
descreveu uma série de efeitos nocivos ao meio ambiente e à vida selvagem
resultantes do uso do DDT e de outros compostos semelhantes (Fonte: JMVH).
Gases venenosos testados na Primeira Guerra foram evitados
na Segunda Grande Guerra, devido aos efeitos devastadores para ambos os lados.
Porém muitas pesquisas foram desenvolvidas, pois concluíram que o que mata
gente também mata insetos. Fazem novas fórmulas e as comercializam como
inseticidas (Fonte:
Google.com/search)
(Fonte: Animal business)
A Bayer desenvolve os ésteres do ácido fosfórico, os quais posteriormente deram origem aos inseticidas do grupo do Parathion (Fonte: IA Gemini)
No Brasil, no início dos anos 50, a introdução de inseticidas fosforados para substituir o uso do DDT, veio acompanhada de um método cruel (Fonte: Master editora, pg. 54).
Foi ensinado que para misturar o DDT, formulado como pó solúvel na água, o agricultor deveria usar o braço, com a mão aberta girando meia volta em um e outro sentido, para facilitar a mistura (Idem).
Fonte: Blogger
Como o DDT tem uma dose letal alta (demanda uma alta absorção do produto para
provocar a morte), somente cerca de 15 anos depois os problemas de saúde
apareciam (Idem).
Contudo, quando o agricultor tentava repetir a técnica com o Parathion,
primeiro fosforado introduzido no Brasil, morria rapidamente, fato que se
repetiu em diversas regiões do país (Idem).
A partir do conhecimento dos efeitos adversos em função de uso
indiscriminado destes inseticidas como resistência, presença de resíduos
em alimentos e problemas ambientais começa a surgir uma nova consciência no
mundo a respeito dos danos causados pelos inseticidas.
Na próxima postagem vamos discutir questões sobre as novas
moléculas tanto sintéticas como naturais que é o que está no comércio hoje, mas
precisamos ter cuidado com o que vamos lidar porque são muitas as ofertas e
precisamos estar cientes de nossas convicções para ver se estamos no caminho
certo.
Para isto precisamos tem um olhar global e fazer as escolhas
numa base científica. E é isto que quero conversar com vocês na próxima
publicação.
Podemos dizer que esta nova era da tomada de atitude contra
os danos causados pelos pesticidas iniciou com a publicação, em 1962, do livro
Primavera Silenciosa da naturalista americana Rachel Carson. Na realidade este
livro tem como foco principal o uso indiscriminado do DDT.
Já no final da década de 50, professores da Universidade da
Califórnia publicaram um trabalho sobre o conceito de controle integrado, que
se transformou num marco da Entomologia Aplicada (Já conversado em postagem
anterior).
Os autores propuseram uma estratégia de convivência com as pragas, dando
oportunidade ao controle biológico natural e recomendando o controle químico
quando a população da praga atinge níveis que causam prejuízos maiores do que
os custos de controle.
A história dos inseticidas reflete a evolução do
conhecimento humano: começou com observações empíricas na Antiguidade, passou
pelo uso intensivo de substâncias minerais e sintéticas e, hoje, caminha em
direção a soluções mais sustentáveis e integradas.
O desafio contemporâneo é equilibrar produtividade agrícola,
segurança alimentar, preservação ambiental e saúde pública que vamos abordar nas
próximas publicações.