terça-feira, 21 de julho de 2026

SINANTRÓPICOS COMO DETERMINANTES DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA - Inter-relação agente-hospedeiro-ambiente

 Nota do autor: "Este artigo é uma versão ampliada, revisada e atualizada do texto 'Sinantrópicos e saúde pública', publicado neste blog em 23/11/2012."

Antes de iniciarmos nossa conversa vamos primeiro entender o que são estas duas palavras e qual é a relação entre elas.

Sinantrópicos, já tivemos uma postagem sobre isto, mas só para lembrar são aqueles organismos que vivem conosco, mas sem nossa própria vontade como ratos, aranhas, escorpiões, mosquitos, baratas e tantos outros.


O Dr. Mateus Henrique Dias, Guimarães, 2025 publicou um trabalho que fala sobre o que é saúde pública e saúde coletiva dizendo que são pilares fundamentais para a organização e o bem-estar de qualquer sociedade. https://rsv.ojsbr.com/rsv/article/view/4230

A saúde pública pode ser entendida como o conjunto de políticas e ações sistemáticas destinadas a promover a saúde da população, prevenindo doenças, garantindo o acesso à saúde e promovendo condições de vida mais saudáveis. (idem)



A saúde comunitária é uma abordagem interdisciplinar que foca na melhoria do bem-estar físico e mental de grupos populacionais específicos, atuando nos determinantes sociais como ambiente, estrutura social e acesso a recursos. Diferencia-se da saúde pública tradicional por focar ativamente na participação da comunidade e na prevenção primária. (idem)

AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE são profissionais fundamentais que intermedeiam a relação entre a comunidade e os serviços de saúde, essenciais na mobilização de campanhas e no trabalho diário. (idem)

Os órgãos oficiais de saúde e trabalhos tem sido publicados como esta teve, no Brasil, seu início estruturado com o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) no início da década de 1990, oficializado em 1991, focando inicialmente na região Nordeste para combater a mortalidade materno-infantil.

Mas não foi exatamente assim. A Saúde Comunitária no Brasil iniciou na Unidade Sanitária São José do Murialdo na rua Vidal de Negreiros número 443, bairro Partenon, Porto Alegre, RS em 1976. Quando lá entrei, em 1977, esta unidade de saúde era dirigida pelo Dr. Ellis Alindo D'Arrigo Busnelo. Lá tembém foram criados os Agentes Comunitários de Saúde. Entrei como Médico Veterinário dentro das equipes multidisciplinares e interdisciplinbares denominadas Equipes Primárias de Saúde.

Esta é a verdadeira história da origem da MEDICINA COMUNITÁRIA no Brasil, e não como dizem os documentos legais que foi no Nordeste na década de 90. Depois foi dando forma a outras maneiras de atender a população Programa de Saúde da Família, Medicina Coletiva, Saúde da Família, Atenção Primária, Medicina Social, Medicina da Família e tantos outros.

A SAÚDE COLETIVA tem sua base histórica na medicina social da França, Inglaterra e Alemanha, configurando-se como campo científico e um âmbito de práticas de caráter interdisciplinar no Brasil, ou seja, é um termo especificamente brasileiro, que emergiu desde 1979 influenciado pelos preceitos da Reforma Sanitária Brasileira (RSB), constituindo conceito, configuração, movimento político e científico no País. https://www.scielo.br/j/sdeb/a/zbwCYXBKPfFdDJRfv4XTRJM/?lang=pt

Saúde coletiva é um campo do conhecimento e de atuação que estuda e intervém nas condições de saúde das populações, considerando fatores sociais, econômicos, culturais e ambientais. Diferente da Medicina Tradicional, que foca no cuidado individual, a saúde coletiva se concentra no bem-estar coletivo e na prevenção de doenças em larga escala.https://www.univates.br/blog/o-que-e-saude-coletiva/



A área busca entender como o contexto em que as pessoas vivem (como moradia, trabalho, acesso à educação, alimentação e saneamento básico) afeta diretamente sua saúde. Além disso, propõe políticas públicas e ações integradas que possam melhorar a qualidade de vida da população como um todo. (idem).

Na prática, isso significa criar e implementar programas de vacinação, campanhas de conscientização sobre doenças transmissíveis, estratégias de controle ambiental e promoção da saúde em escolas, comunidades e ambientes de trabalho. Ou seja, é um esforço coletivo que envolve diferentes setores da sociedade, como governos, universidades, organizações sociais e até os próprios cidadãos. (idem)

A saúde coletiva é essencial para garantir que o acesso à saúde seja um direito de todos, e não um privilégio de poucos. (idem)

Saúde e qualidade de vida são dois temas relacionados. Isto é, a saúde contribui para melhorar a qualidade de vida e esta é fundamental para que um indivíduo ou comunidade tenha saúde.

QUALIDADE DE VIDA serve para medir as condições da vida de um ser humano. Envolve o bem físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais com a família e amigos e também a saúde, educação, e outras circunstâncias da vida. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/260_qualidade_de_vida.html

Qualidade de Vida é mais do que ter uma boa saúde física ou mental. É estar de bem com você mesmo, com a vida, com as pessoas queridas e com todos ao seu redor, enfim, estar em equilíbrio.  Esse equilíbrio diz respeito ao controle de sua vida e dos acontecimentos à sua volta. (idem)

eletivas2010.blogspot.com/2010/11/qualidade-de-vida_25.html↗

Fato fundamental na melhoria da qualidade de vida é a pessoa ou comunidade estar em perfeito estado de saúde para que possa desenvolver todas as outras atividades que vão proporcionar uma melhor qualidade de vida.

Mas o que ter SAÚDE, como definir este item fundamental à vida. Tem-se tentado defini-la de várias formas e não temos uma única definição ou apenas uma forma de definir o que é estar com saúde.

Segundo a OMS SAÚDE é um estado de completo bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade.

A definição de saúde não é apenas uma questão teórica, pois tem muitas implicações para a prática, as políticas públicas e os serviços de saúde. A definição atual de saúde, formulada pela OMS, já não é adequada para lidar com os novos desafios dos sistemas de saúde. https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0020731418782653

Apesar das muitas tentativas de substituí-la, nenhuma definição alternativa alcançou um amplo consenso. Adotando uma perspectiva epistemológica, a necessidade de uma definição única deve ser rejeitada em favor de uma abordagem plural, na qual não pode existir a melhor definição de saúde, mas sim várias definições diferentes, mais ou menos úteis dependendo do escopo de aplicação. (idem)

As objeções comuns, por exemplo, acusando a definição da OMS de utopismo e extrapolamento, baseiam-se numa suposição implícita de que "completo" é um termo quantitativo. Em outras palavras, os críticos presumem que a expressão significa que saúde é um estado de bem-estar no seu mais alto grau. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10849326/#CIT0022


smetal.org.br/imprensa/minha-saude-meu-direito-e-tema-do-dia-mundial-da-saude/↗

O autor chama essa interpretação de SAÚDE PERFEITA. Assim, os críticos alegam que a OMS identifica saúde com o mais alto grau de bem-estar, isto é, com o bem-estar perfeito ou — em termos menos técnicos — com a felicidade. (idem)

No entanto, o termo  completo" também pode ter um significado qualitativo. Quando dizemos que algo é um exemplar completo de sua espécie, queremos dizer que possui todas as características que o constituem. Por exemplo, um jantar completo é aquele que contém uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. (idem)

Assim, o bem-estar completo pode ser entendido como um estado que abrange todas as características constitutivas do bem-estar. Estas são, segundo a OMS, os aspectos físicos, mentais e sociais. O autor chama isso de saúde holística. A OMS endossa uma visão holística da saúde, e não uma visão perfeccionista. (idem)

A "Uma Só Saúde" também conhecida como “Saúde Única”, é a tradução do termo em inglês “One Health”, que se refere a uma abordagem integrada que reconhece a conexão entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental.  https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/u/uma-so-saude

institutolibio.org.br/o-papel-da-educacao-ambiental-na-saude-unica/↗

A abordagem de Uma Só Saúde propõe e incentiva a comunicação, cooperação, coordenação e colaboração entre diferentes disciplinas, profissionais, instituições e setores para fornecer soluções de maneira mais abrangente e efetiva. (idem)

A implementação dessa abordagem favorece a cooperação, desde o nível local até o nível global, para enfrentar desafios emergentes e reemergentes, como pandemias, resistência antimicrobiana, mudanças climáticas e outras ameaças à saúde. (idem)

Assim, a abordagem de Uma Só Saúde transcende fronteiras disciplinares, setoriais e geográficas, buscando soluções sustentáveis e integradas para promover a saúde dos seres humanos, animais domésticos e silvestres, vegetais e o ambiente mais amplo (incluindo ecossistemas). (idem)

Uma Só Saúde (ou também Saúde Única) Trata-se de uma abordagem que demanda "os esforços colaborativos de múltiplas disciplinas que trabalham local, nacional e globalmente, para alcançar a saúde ideal para as pessoas, animais e nosso meio ambiente", conforme definido pela Força-Tarefa da One Health Initiative (OHITF). https://pt.wikipedia.org/wiki/Uma_S%C3%B3_Sa%C3%BAde


Surgiu em resposta às evidências da propagação de DOENÇAS ZOONÓTICAS entre espécies e à crescente percepção da interdependência entre a saúde humana e animal, juntamente com as mudanças ecológicas. (Idem)

Sob essa perspectiva, a saúde pública não se restringe mais apenas aos seres humanos. Devido ao ambiente compartilhado e à fisiologia altamente conservada, animais e humanos não apenas enfrentam as mesmas doenças zoonóticas, mas também podem ser tratados com drogas estruturalmente relacionadas ou idênticas. (idem)

Portanto, é crucial evitar o tratamento desnecessário ou excessivo de doenças zoonóticas, especialmente considerando a resistência a medicamentos em micróbios infecciosos. (Idem)



Várias organizações em todo o mundo apoiam os objetivos da Uma Só Saúde, incluindo a Secretaria de Vigilância em Saúde Ambiental (MS), Centros de Controle e Prevenção de Doenças (USA), a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, a Organização Mundial da Saúde, a Organização Mundial de Saúde Animal, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente entre outros órgãos. (Idem)

A maior parte das devastadoras epidemias que já atingiram os humanos teve origem em animais. E o curioso é que pouco se sabe sobre os padrões globais de transmissão dessas doenças, o que dificulta a identificação das zonas de risco e faz com que surtos deste tipo sejam imprevisíveis. Fonte: Ver pesquisa completa

Entender como os animais estão distribuídos no mundo e por que isso acontece pode não parecer ser aplicável a nossas vidas do dia a dia. Mas prever onde a próxima doença zoonótica pode emergir depende exatamente desse tipo de conhecimento científico. (idem)

A pesquisa revelou que morcegos carregam muito menos doenças zoonóticas (25) do que roedores (85), carnívoros (83), primatas (61) e mamíferos com cascos (59). (idem)



A pesquisa revelou que morcegos carregam muito menos doenças zoonóticas (25) do que roedores (85), carnívoros (83), primatas (61) e mamíferos com cascos (59). (idem)

Tem havido novos casos de raiva humana na Amazônia por morcegos, mesmo que no restante do país os registros tenham diminuído. (idem)

Outro dado da pesquisa é que mais de 10% das espécies de roedores (244, de um total de 2.220) são hospedeiras de zoonoses e transportam 85 doenças. E, embora existam menos espécies de primatas, uma maior proporção deles, 21%, é composta por hospedeiros zoonóticos (77 de 365). (idem)

Uma proporção maior de espécies que vivem em latitudes setentrionais, como o Círculo Ártico, transportam zoonoses. Compreender as implicações deste padrão, tendo em conta as tendências de aquecimento do clima, será uma importante linha de investigação que deve ser abordada o mais cedo possível.(idem)

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59148373

É preciso perceber que a atividade do homem influencia muito o comportamento e distribuição de mamíferos. Os grandes focos de peste na Rússia, por exemplo, foram produzidos por ratos, mas em consequência da atividade humana: as plantações de trigo atraíam os roedores e, depois que o trigo era colhido e não havia mais comida para os roedores, eles passaram a atacar os humanos. (idem)

A Carta das Nações Unidas diz que estar em boa saúde é um dos direitos fundamentais do ser humano, sem distinção de raça, religião, ideologia, política ou condição econômica e social. Fonte: https://www.icict.fiocruz.br/noticias/direito-fundamental-saude-condicao-para-dignidade-humana

Perkins, 1938 diz que Saúde é um estado de relativo equilíbrio, da forma e função do organismo, resultante do seu ajustamento dinâmico e satisfatório, às forças que tendem perturba-lo. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/boletim_saude_v17n1.pdf

Quanto a este conceito não podemos esperar a existência de uma condição estável de saúde ou de doença, mas de uma luta permanente entre o organismo, o hospedeiro e as forças ou estímulos, de natureza variada, que tentam romper o equilíbrio estabelecido ao nível que corresponde ao seu gráu de saúde. (idem)


Torna-se, pois, indispensável à identificação das causas e a descoberta do modo como participam do processo doença, para que se torne possível uma ação efetiva, capaz de antagonizá-las e, por conseguinte, prevenir seus efeitos. Fonte: Cad. Saúde Pública 11 (1) • Mar 1995

Prevenção em saúde pública é a ação antecipada com base no conhecimento da história natural, tendo por objetivo interceptar ou anular a evolução de uma doença. “Prevenir é prever antes que algo aconteça ou mesmo, cuidar para que não aconteça” Fonte: Maria Zelia Rouquaryol, Epidemiologia & Saúde, Fortaleza, 1983. 327 pp

Ao se estudar as razões pelas quais determinadas doenças atingem uma população é fundamental identificar a história natural das doenças que são as inter-relações dinâmicas entre o agente, o doente, o susceptível, suas condições intrínsecas, o ambiente e as condições sócio-econômico-culturais que afetam o processo saúde-doença. Fonte: Leavel, H & Clark, E.G. medicina Preventiva. São Paulo, Mcgraw Hill, 1976. 744 pp

O conhecimento destes fatores torna a prevenção possível na medida em que se removem fatores responsáveis pela doença.

Um dos importantes instrumentos usados em saúde pública para identifica fatores geradores de um problema é a VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA.

Que é o conjunto de procedimentos permanentes por meio do qual tomamos conhecimento dos eventos relacionados com a presença de doenças em determinada área geográfica tendo como propósito básico a obtenção contínua de conhecimentos sobre os componentes envolvidos com a ocorrência delas, visando oferecer elementos de apoio aos programas de prevenção, tanto a nível de combate como erradicação destas, quando possível. Fonte: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/6L4R958YLyJywqtG9WcRRCv/?format=html&lang=pt

http://Snptesdoorih1f4 c24m27m9uf38at12au2066 h4rlgcd ftdeb200 ifhe ·

Tem como objetivos:

  • Obter informações acerca de doenças segundo a área geográfica, o tempo e os agentes responsáveis.
  • Recursos disponíveis para seu controle, fatores ambientais relevantes, tanto de natureza física como biológica e sócio-econômico-cultural.
  • Processar as informações obtidas como registro, análise, organização, interpretação e publicação dos resultados gerando novos conhecimento pertinente à realidade existente.
  • Dentre as  características especiais do ambiente que interferem no padrão de saúde da população estão os fatores biológicos, físicos e químicos.

https://sanarmed.com/vigilancia-epidemiologica-e-notificacao-compulsoria/

http://vigilancia.saude.mg.gov.br/index.php/vigilancia-epidemiologica/

 Em relação aos fatores de perigo biológico para a saúde humana estão os vetores, agressores e reservatórios (sinantrópicos) responsáveis pela transmissão de doenças e agravos à saúde.

As doenças transmitidas por sinantrópicos vão além da simples relação entre agente e hospedeiro. Tem os aspectos relacionados ao agente, sinantrópicos, susceptível e o ambiente onde se relacionam.

A prevenção está em remover fatores capazes de criar uma condição inadequada ao equilíbrio saúde-doença.

 Apenas o uso de químicos sem considerar os demais aspectos não resolverá o problema, principalmente quando medidas são tomadas apenas no momento da crise.

Vemos aqui em toda esta conceituação que existem três fatores fundamentais que são o hospedeiro, o ambiente e o agente etiológico.

O HOSPEDEIRO

Uma pessoa ou animal vivo, incluindo aves e insetos, que abriga ou subsiste a um agente infeccioso em condições naturais, necessitando do hospedeiro para sobreviver, e em muitos casos, para se multiplicar, quando o agente sai do hospedeiro e infecta outro indivíduo, o hospedeiro original passa a ser uma fonte de infecção.

Hospedeiro definitivo: é o que apresenta o parasito em sua fase de maturidade ou em fase de reprodução sexuada. Ex.: o hospedeiro definitivo do Plasmodium é o Anopheles; os hospedeiros definitivos do S. mansoni são os humanos. https://www.parasitologia.org.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=421

Hospedeiro intermediário: é aquele que apresenta o parasito em sua fase larvária ou assexuada. Ex.: o caramujo é o hospedeiro intermediário do S. mansoni. (idem)



Hospedeiro paratênico ou de transporte: é o hospedeiro intermediário no qual o parasito não sofre desenvolvimento ou reprodução, mas permanece viável até atingir novo hospedeiro definitivo.

Ex.: peixes maiores, que ingerem peixes menores contendo larvas plerocercóides de Diphyllobotrium spp, que simplesmente transportam essas larvas até que os humanos as ingiram (comer peixe cru). (idem)

Alguns protozoários e helmintos passam fases sucessivas em hospedeiros alternados, de diferentes espécies.

O homem poderá tanto funcionar como hospedeiro intermediário como definitivo dependendo da enfermidade. Por exemplo, na teníase-cisticercose, o homem é HD com a tênia e HI com a larva encistada (cisticerco).

Ser suscetível a doenças significa ter maior probabilidade de contrair infecções ou desenvolver enfermidades devido à falta de imunidade, resistência reduzida ou fatores de risco, como genética, idade (idosos) e comorbidades. Um hospedeiro suscetível é um indivíduo biologicamente vulnerável, tornando-se alvo mais fácil para patógenos quando exposto, essencial na compreensão da história natural da doença. 

Se o agente etiológico for um ser vivo, o suscetível pode se denominar hospedeiro. A suscetibilidade tem a ver com fatores genéticos, sócio-econômico-cultural, idade, sexo, cor da pele, etc.

Em relação ao hospedeiro temos que analisar que fatores estão relacionados a ele e que necessitam serem analisados para ver sua relação com o sinantrópico e a enfermidade e assim poder controlar a situação:

  • Combate aos sinantrópicos
  • Problema social    
  • Questão educativa
  • Diagnóstico diferencial e exames laboratoriais
  • Proximidade de focos
  • Saneamento
  • Conhecimento dos problemas
  • Cuidados com o peridomicílio    
  • Movimentos comunitários
  • Busca por atendimento médico
  • Identificação de focos
  • Controle focal, perifocal e ambiental
  • Uso de inseticidas adequados
  • Uso de equipamentos adequados
  • Vigilância entomológica, epidemiológica e virológica permanente
  • Ecologia do vetor
  • Educação para a saúde    
  • Polícia sanitária
  • Programas de combate permanente
  • Influência do clima

https://mooc.campusvirtual.fiocruz.br/rea/uma-so-saude/modulo1/modulo1-aula3.html

O AMBIENTE

O ambiente é o conjunto de todos os fatores que mantem relações interativas com o agente etiológico, o susceptível e o sinantrópico, incluindo o meio físico, biológico, químico e social que favorecem ou não as condições de vida, manutenção biológica e transmissibilidade de todos os envolvidos na presença ou não de doença.

Este ambiente poderá oferecer condições de manutenção de determinado sinantrópico de forma a que possa transmitir agentes patogênicos ou agressões.

FATORES FÍSICOS

 Como umidade, temperatura, pluviosidade, radiações, latitude, longitude, relevo, composição do solo, coleções de água, ventos, etc. são fatores que influenciam as condições de saúde da população, do agente e do sinantrópico.

Exemplo marcantes são dados por doenças transmitidas por vetores onde a existência do vetor e do agente no seu organismo depende do comportamento de quase todos os fatores acima relacionados.

Fonte: Ver pesquisa completa

As mudanças climáticas — combinadas com fatores antrópicos (ação humana) como urbanização deficiente e mobilidade global — potencializam esses fatores físicos, permitindo a expansão geográfica e o aumento sazonal de surtos de doenças. Fonte: https://wellcome.org/insights/articles/how-climate-change-affects-vector-borne-diseases

Os fatores físicos ambientais que sustentam e propagam doenças causadas por vetores (como dengue, malária, Zika, chikungunya e leishmaniose) estão intrinsecamente ligados ao clima, influenciando o ciclo de vida, a reprodução e a sobrevivência dos vetores, que são geralmente artrópodes ectotérmicos (insetos que dependem do calor ambiental). Fonte: Ver pesquisa completa.

Os principais fatores físicos incluem:

Temperatura Elevada: É um dos fatores mais críticos. Temperaturas mais altas aceleram o ciclo reprodutivo dos mosquitos, encurtam o tempo de desenvolvimento das larvas e reduzem o período de incubação do patógeno (vírus ou parasita) dentro do vetor, acelerando a transmissão. Temperaturas entre 6°C e 40°C geralmente permitem a sobrevivência dos vetores, sendo a faixa de 18°C a 31°C ideal para mosquitos da dengue. Fonte: Ver pesquisa completa.

Precipitação (Chuvas): O aumento da pluviosidade cria locais com água parada, essenciais para a reprodução de mosquitos, como o Aedes aegypti e Anopheles. Inundações podem aumentar a abundância de vetores, enquanto secas prolongadas também podem favorecer doenças, forçando as pessoas a armazenar água de forma inadequada, gerando criadouros. (Idem)

Umidade Relativa do Ar: Níveis elevados de umidade previnem a dessecação dos vetores, aumentando sua taxa de sobrevivência e atividades de picada. (Idem)

(Idem)

Uso e Cobertura do Solo: Alterações ambientais, como desmatamento, urbanização acelerada e desordenada, mineração e mudanças na agricultura, alteram os habitats naturais, muitas vezes aproximando os vetores dos seres humanos. (Idem)

Altitude: A temperatura mais baixa em altitudes elevadas historicamente limitava a presença de vetores. No entanto, o aquecimento global tem permitido que vetores, como o Aedes e Anopheles, se adaptem e expandam para áreas mais altas e latitudes anteriormente frias. (Idem)

Além dos exemplos clássicos fornecidos pela malária, filariose e arboviroses é interessante lembrar a ausência da tripanossomíase africana (doença do sono); não só fontes de infecção como as moscas tsé-tsé, foram introduzidas no Brasil, mas a doença não existe pois o vetor não encontrou condições do meio favoráveis à sua instalação.

Vale lembrar que muitos vetores se adaptam às variações do estado físico do ambiente se mantendo em épocas não comuns. É o caso do borrachudo (Simulídeos), que hoje, no RS, agride o homem durante o ano todo e em diferentes horários.




É o caso do Aedes aegypti que se desenvolve em águas poluídas e não apenas em águas limpas. O que levou o MS demorar para seu combate pois informava que o vetor se desenvolvia apenas em águas limpas enquanto estava se desenvolvendo também em águas suja ou contaminada, como esgotos, fossas, bocas de lobo e água com matéria orgânica.

FATORES QUÍMICOS

Os fatores químicos ambientais desempenham um papel crucial, tanto na promoção quanto na inibição, da presença de vetores (mosquitos, carrapatos, roedores) e, consequentemente, na transmissão de doenças como dengue, malária, leishmaniose e doença de Lyme. A contaminação do ar, água e solo devido a atividades humanas (antropogênicas) altera os ecossistemas, criando ambientes propícios para a reprodução desses vetores. Fonte: Ver pesquisa completa

O descarte de resíduos industriais e orgânicos em corpos d'água pode aumentar a quantidade de nutrientes (eutrofização), favorecendo a proliferação de larvas de mosquitos e a sobrevivência de microrganismos patogênicos. (Idem)

 A poluição atmosférica leva ao aumento da temperatura global, o que acelera o ciclo de vida dos vetores (reprodução mais rápida) e aumenta a taxa de picadas, resultando em mais doenças como dengue e malária. (Idem)

O acúmulo de lixo orgânico e efluentes industriais descaracteriza o ecossistema, permitindo que sinantrópicos (que vivem próximos a humanos), como ratos, proliferem, aumentando casos de leptospirose. (Idem)

FATORES SÓCIO-ECONÔMICOS-CULTURAIS

São tão importantes quanto os físicos, químicos e biológicos no condicionamento da saúde ou doença. 

O desenvolvimento de doenças transmitidas por animais sinantrópicos — aqueles que convivem com o ser humano sem serem domesticados, como ratos, pombos, mosquitos, baratas e morcegos — é intensamente influenciado por fatores socioeconômicos e culturais. A precarização do ambiente urbano, a falta de saneamento básico e hábitos culturais de higiene são determinantes cruciais. Fonte: ver pesquisa completa



A ausência de coleta de lixo, rede de esgoto e abastecimento de água potável cria um ambiente ideal para a proliferação de sinantrópicos como ratos (transmissores de leptospirose) e baratas. O manejo inadequado de resíduos sólidos (lixo) é um fator direto na disponibilidade de alimentos e abrigo. (idem)

 Moradias em áreas de risco (encostas, próximo a córregos) e a alta densidade populacional em áreas periféricas facilitam a transmissão de zoonoses, pois aumentam o contato humano com vetores. (Idem)                                   

 Hábitos de higiene doméstica e a falta de educação em saúde sobre o armazenamento correto de alimentos e o acondicionamento de lixo favorecem a atração de vetores. A conscientização da população é fundamental para o controle desses animais, que são "convidados" pelo homem através da disponibilidade de água, abrigo e alimento. (Idem)

O rápido crescimento das cidades sem planejamento ambiental altera ecossistemas, eliminando predadores naturais e oferecendo nichos artificiais para espécies sinantrópicas, resultando no aumento de arboviroses (dengue, chikungunya). (Idem)                             

FATORES BIOLÓGICOS

Os fatores biológicos que influenciam a relação entre animais sinantrópicos (aqueles que vivem próximos ao ser humano, como ratos, baratas, pombos e mosquitos) e agentes etiológicos (bactérias, vírus, parasitas) envolvem, primordialmente, características evolutivas e ecológicas que facilitam a transmissão de zoonoses. 

Sinantrópicos possuem grande flexibilidade biológica, permitindo-lhes prosperar em ambientes modificados pelo homem (zonas urbanas), com dieta variada e resistência a mudanças ambientais.

Por outro lado as características da flora que provem condições de sobrevida a elementos da cadeia de transmissão como a flora onde algumas espécies mantêm água no seu interior (bromélias) permitindo o desenvolvimento larval de mosquitos.

É a vegetação rasteira que permite a localização de carrapatos facilitando seu deslocamento para animais onde se instala como parasita ou vetor (febre maculosa).

Muitas espécies, como roedores e baratas, possuem ciclos reprodutivos rápidos e curtos, resultando em infestações rápidas e maior densidade populacional, o que aumenta a probabilidade de contato com agentes patogênicos.


Fonte: slide de aula


Exemplos marcantes são dados pelo processo de urbanização, pelas atividades agropastoris, pelas obras que alteram o sistema hidrográfico e a topografia, com consequencias favoráveis, ou, em certos casos, desfavoráveis, para a saúde do homem.

O hábito noturno, a onivoria (comer de tudo) e a busca por abrigo em frestas ou estruturas humanas favorecem a interação íntima entre sinantrópicos e humanos. Alguns sinantrópicos desenvolveram resistência a doenças que carregam, tornando-se hospedeiros eficientes a longo prazo.

Os seguintes fatores tem que ser identificados como possíveis de serem responsáveis pela presença, manutenção e permanência do vetor/reservatório, do hospedeiro e do agente:

1.      Temperatura
2. Chuvas
3. Aumento do número de focos   
4. Repasto sanguíneo
5. Densidade populacional
6. Aumento da viremia
7. Aumento da capacidade de transmissão
8. Longevidade do agente etiológico dentro do vetor
9. Tempo que o vetor tem para transmitir depois de infectado
10. Presença de infectado
s

Esses fatores, combinados com a disponibilidade de abrigo, água e alimento em áreas humanas, seja no ambiente urbano como rural, criam um ambiente propício para a manutenção e disseminação de enfermidades.

O AGENTE ETIOLÓGICO

Etiologia é um substantivo grego que significa o estudo das causas. Não é específica de uma determinada ciência mas está presente na Biologia, Criminologia, Medicina, Psicologia por possuírem em seu campo de atuação a busca das causas que deram origem ao seu objeto de estudo. É uma  espécie de ciência das causas. O conceito abrange toda a pesquisa que busca as causas de determinado objeto ou conhecimento.

Nas ciências que tem como objeto de estudo as doenças a etiologia se preocupa com as causas destas doenças: os agentes ou fatores causais de doença, a sua proveniência endógena ou exógena, o papel que desempenham na causalidade multifatorial das doenças e o seu potencial agressivo ou virulência.

Neste sentido derivou o adjetivo etiológico, agente etiológico, como sendo aquele que é o fator responsável por causar uma doença, agravo ou lesão. Alguns agentes etiológicos são de natureza inanimada tais como: as radiações, os poluentes químicos do ar, da água, do solo, dos alimentos, drogas usadas como remédios ou por vício, álcool, fumo, aditivos químicos dos alimentos e inseticidas entre outros.

O agente etiológico é o organismo ou fator responsável por causar diretamente uma doença, desencadeando sinais e sintomas no hospedeiro. Também chamado de agente causador ou patógeno, pode incluir vírus, bactérias, fungos, protozoários, helmintos (vermes) ou agentes físicos/químicos. Fonte: Ver pesquisa completa

Um escorpião ou uma aranha, ao causar um acidente peçonhento (envenenamento), pode ser considerado o agente etiológico (ou agente causador) do agravo, mesmo que não transmita doenças infecciosas como vírus ou bactérias.  Embora não causem uma "infecção" (doença infecciosa), esses aracnídeos produzem um "agravo à saúde" (envenenamento ou acidente peçonhento), que pode ser leve, moderado ou grave. O veneno injetado contém moléculas, como peptídeos neurotóxicos, que causam reações imediatas (dor, sudorese, arritmias), agindo diretamente nas funções vitais do hospedeiro. Fonte: Ver pesquisa completa.



Fonte: Medway

Tecnicamente, mosquitos além de vetores podem ser considerados agentes etiológicos de uma reação alergica embora não seja o agente causador de uma infecção (como vírus ou bactérias). Na medicina, um agente etiológico é qualquer fator (biológico, físico ou químico) capaz de iniciar uma doença ou condição patológica. No caso de alergias severas à picada de mosquito, os componentes da saliva do inseto agem como os agentes etiológicos que desencadeiam a resposta imune. Fonte: Ver pesquisa completa.

As proteínas e enzimas presentes na saliva do mosquito são o "agente" que provoca a reação alérgica (hipersensibilidade) em pessoas suscetíveis. Diferente de Dengue ou Zika, a reação alérgica (prurigo estrófulo) é uma reação do sistema imunológico a um agente externo, não uma replicação de um vírus ou bactéria dentro do hospedeiro (Idem).

A picada inocula substâncias que, em pessoas alérgicas, ativam mastócitos e liberam histamina, causando inchaço, coceira intensa, vermelhidão e, por vezes, bolhas (prurigo estrófulo). Embora não transmita doença infecciosa, a picada pode causar uma "lesão" física e alérgica severa, muitas vezes tratada com antialérgicos ou corticoides. 

Fonte: Anais de dermatologia 

Portanto, para o quadro clínico de alergia, o mosquito é o agente etiológico (biológico) daquela inflamação, mesmo que não seja vetor de doenças infecciosas. 

Nas doenças transmissíveis e zoonoses, estes agentes são seres vivos. Na sua luta pela sobrevivência, organismos vivos parasitam outros organismos vivos, espoliando-os e produzindo enfermidades.

Fonte: Visualizar pesquisa total


Pertencem a esta categoria os virus, riquétsias, bactérias, fungos, protozoários, helmintos e outros mais, são seres vivos de vida parasitária obrigatória ou não.

É possível enquadrar nesta categoria alguns animais de vida parasitária exclusiva ou não como pulgas, carrapatos, simulídeos, mosquitos fêmeas que precisam de sangue após sua fecundação pois mesmo não transmitindo algum agente no momento da espoliação estão causando danos.

Neste sentido poderíamos dizer que estes insetos e aracnídeos estão, neste momento funcionando não como um vetor, mas como um agente etiológico.

Nas doenças transmissíveis, a compreensão deste fenômeno está na dependência do conhecimento das respostas para as seguintes questões:

- O que?
- De onde?
- Para onde?
- Por que meios?

Em que pese ser a doença um processo multicasual, para o qual concorrem inúmeros fatores, no caso particular das doenças transmissíveis, a presença ou ausência do agente específico configura-se como condição fundamental para a manifestação da doença, pois se a presença dele nem sempre é suficiente para o estabelecimento da doença, essa não ocorre sem a sua participação.

Neste caso o agente é um determinante indispensável mas não necessariamente suficiente para o desenvolvimento da doença infecciosa.

Sob o ponto de vista epidemiológico as propriedades dos bioagentes que mais importam são as que regem sua relação com o hospedeiro e as que contribuem para o aparecimento de doença como produto desta relação bem como as condições de sobrevivência na natureza: Fonte: Ver pesquisa completa

1. INFECTIVIDADE: É a capacidade do agente de causar infecção, ou seja, de invadir, instalar-se e multiplicar-se nos tecidos do indivíduo. Seu conhecimento permite prever a intensidade de propagação da doença na população. (Idem)

2. PATOGENICIDADE: É a capacidade do agente em desenvolver efeitos maléficos, isto é, agravos, ao organismo hospedeiro. É identificada pela frequência da manifestação na  população e definida como um número. (Idem)

3. VIRULÊNCIA: Corresponde à intensidade da manifestação clínica da doença, traduzida pelo gráu de severidade do agravo ou dano acarretado ao hospedeiro. (Idem)

4. CAPACIDADE IMUNOGÊNICA: É representada pelo potencial do agente em provocar, no hospedeiro, um estímulo imunitário específico. (Idem)

5. RESISTÊNCIA: É a habilidade do agente em superar as adversidades do ambiente, especificamente as influências deletérias do meio quando na ausência do parasitismo, isto é, fora do organismo do hospedeiro mas também a resistência do agente aos fatores de defesa orgânico.

6. PERSISTÊNCIA: reflete a capacidade de um agente, uma vez introduzido numa população, permanecer por tempo prolongado ou indefinidamente. É uma característica estreitamente relacionada ás demais citadas anteriormente.

O que devemos observar em relação ao agente etiológico?
1. Se sobrevive fora do hospedeiro
2. Fontes de contaminação
3. Mecanismo de transmissão
4. Infectividade
5. Virulência
6. Patogenicidade      
7. Longevidade
8. Persistência
9. Resistência
10. Capacidade antigênica



MORTE E VIDA SEVERINA
João Cabral de Melo Neto
Somos muitos severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibrando mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos severinos iguais em tudo na vida morremos de morte igual, mesma morte Severina que é morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a morte Severina ataca em qualquer idade e até gente não nascida).

 


domingo, 22 de fevereiro de 2026

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS INSETICIDAS: DA ORIGEM NATURAL ÀS APLICAÇÕES SOCIAIS, MILITARES E AGROSANITÁRIAS

 “Uma análise histórica dos inseticidas desde sua origem natural e sua incorporação industrial passando pelo uso como pigmentos artísticos passando para sua consolidação como ferramenta militar, agrícola e sanitária”.

Esta é um postagem revisada e atualizada da que havia sido publicada em 21 de agosto de 2011.

A história dos inseticidas começa na antiguidade. Mesmo nos anos antes de Cristo os povos da China, da Grécia e da Suméria já se tinham apercebido do efeito de alguns sais inorgânicos no combate aos insetos nas suas colheitas. O conhecimento era empírico, baseado na observação dos efeitos de certas substâncias sobre pragas.

China antiga (≈ 1000 a.C.)
A China antiga, especialmente a partir da Dinastia Zhou (aprox. 1000 a.C.), possui registros históricos notáveis sobre o manejo de pragas na agricultura, utilizando métodos minerais e botânicos. Registros indicam o uso de enxofre inorgânico, mercúrio e compostos de arsênico para combater insetos em plantações e armazenamentos de grãos. O enxofre, em particular, foi utilizado não só para pragas agrícolas, mas também como fumegante (queimado) para controlar piolhos e insetos. Pesquisa ajuda IA Gemini)








Suméria e Mesopotâmia (≈ 2500 a.C.)

Tabletes cuneiformes indicam o uso de enxofre queimado como fumigante para afastar insetos e outros organismos indesejáveis, especialmente em ambientes de armazenamento. Pesquisa ajuda IA gemini)


                                                     






Aventuras na História  

Egito Antigo (aproximadamente entre 3200 a.C. e 30 a.C.

Arqueólogos encontraram concentrações de cinzas escuras e densas ao redor de silos de tijolos de barro no Egito (como no Reino Antigo em Gizé), indicando que as cinzas eram usadas como uma barreira física e inseticida, causando desidratação em insetos. (Pesquisa ajuda IA Gemini)

Os egípcios enfrentavam pragas graves em seus grãos, como besouros (ex: Sitophilus oryzaeTenebroides mauritanicus), encontrados em escavações de locais de armazenamento.

O uso de cinzas, poeira de solo e sementes oleaginosas para proteção de alimentos secos remonta a meados do segundo milênio a.C. no Antigo Oriente e Egito.

Além de cinzas, o próprio design dos silos (fechados e de barro) e o armazenamento de grãos com as espigas (não debulhados) ajudavam a diminuir a infestação. 


                                    




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Grécia e Roma antigas (aproximadamente entre 800 a 701 a.C. e   401 a 500 d.C.)

Autores como Homero, Aristóteles e Plínio, o Velho mencionaram o uso de enxofre, óleos, resinas e cinzas no controle de pragas agrícolas. O enxofre, em especial, tornou-se um dos primeiros inseticidas e fungicidas “clássicos” (Pesquisa junto IA Gemini).

Os romanos antigos já usavam fumaça da queima de enxofre para controlar pulgões que atacavam as plantações de trigo.

Compostos orgânicos naturais como a piretrina, obtida das flores do crisântemo eram utilizados como inseticidas pelos chineses cerca de 2.000 anos atrás. atrás.

 

 Chrysanthemum cinerariaefolium

 Povos do deserto protegiam suas tendas de armazenamento de cereais acrescentando pó de piretro sobre os grãos, ou pendurando feixes dessa flor na entrada das tendas, os quais serviam como repelente de moscas e mosquitos. (Dissertação Mestrado USP, 2008, pg 33)

                                                                   Freepik






Freepik

 Nos primórdios do século XIX, os chineses utilizavam arsênico misturado em água para controlar insetos (Tecnologia chain, pg.572)

Mais tarde perceberam também que certas plantas funcionavam perfeitamente como um veneno potente para a maioria dos vertebrados e invertebrados, embora não tivessem a menor idéia de quais as substâncias ativas que elas continham. Uma dessas substâncias era a nicotina extraída da planta Nicotina tabacum ou a rotenona extraída da raiz do timbó (Derris sp).









O Ponto de Virada foi apenas no final do século XIX onde pesticidas químicos mais "modernos" e inorgânicos, como o "verde de Paris" (arsenito de cobre) e a calda bordalesa (sulfato de cobre e cal), começaram a ser desenvolvidos e aplicados de forma mais científica. (Pesquisa junto ao Gemni ai).

O uso “oficial” de pesticidas começou neste mesmo período (final do século XIX), com a comercialização de alguns sais inorgânicos no combate às espécies de besouros que afetavam as plantações de batatas. No entanto a maioria destes sais eram tão tóxicos para as pragas como para o homem. (Pesquisa junto ao IA Gemini).

Apenas em 1867 (final do século XIX) o Verde de Paris ou Paris Green foi introduzido no combate a pragas, sendo o principal inseticida para combater o besouro da batata no Colorado (Leptinotarsa decemlineata).


 Relatos históricos sugerem que a descoberta foi acidental em 1860. Um fazendeiro teria notado que respingos de tinta verde, usada para pintar persianas ou janelas, caíram sobre plantas de batata infestadas e mataram os besouros quase imediatamente (Fonte: IA Gemini) .

Em 1900 era usado em tão larga escala que levou o governo dos Estados Unidos da América a estabelecer a primeira legislação no país sobre o uso de inseticidas (Fonte: Dissertação Mestrado, pg.19, 2011).

O Verde de Paris foi o primeiro e mais emblemático pesticida sintético inorgânico, e tem uma história bastante peculiar. Mais tarde vamos fazer uma postagem sobre esta tinta que se tornou um inseticida bem controverso. Acredito que seja o mais controverso existente. Muito mais que o DDT.

 

Fonte: https://arteref.com/pintura/uma-breve-historia-do-verde-na-arte/  

Verde de Paris é o nome de um composto à base de arsênico e cobre descoberto em 1808, mas comercializado em 1814, não como pesticida, mas como um pigmento para tintas, devido à cor verde intensa. wikipedia

Só após se atribuir a culpa ao Verde de Paris pelos envenenamentos de algumas pessoas que pintavam quadros é que o composto foi completamente banido das tintas estando inserido em inúmeros quadros pintados durante o século XIX (idem).

O composto acabou por ser banido poucos anos depois, devido sua extrema toxicidade para os mamíferos.

Sua história começa no século XVIII e XIX onde surgiu na Europa uma cor que causou fascínio, entretanto deve-se desdobrar a invenção deste belo verde brilhante que despertou o interesse de várias pessoas, pintores, doceiras e tudo que se podia tingir. (Fonte: Wikipedia)

Apesar de ficar conhecido como Verde Paris, denominação esta que se deve à popularidade e ao uso intenso deste pigmento na cidade de Paris durante o século XIX, tornando-se uma cor de moda e decoração icônica na época, foi criada na Suécia e depois na Alemanha e em 1867, o pigmento foi batizado de verde Paris e oficialmente reconhecido como o primeiro inseticida químico do mundo (Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Paris_green)

O "Verde Paris" foi amplamente utilizado como veneno para controlar a população de ratos nos esgotos e subterrâneos de Paris durante o século XIX e início do século XX (Pesquisa junto ao IA Gemini) . 

Além de ratos, foi um dos primeiros inseticidas agrícolas amplamente utilizados, inclusive contra besouros e no controle de larvas de mosquitos, chegando a ser pulverizado por aviões em partes da Itália e França durante as campanhas antimalária na década de 1940. (Pesquisa junto ao Gemini ai)

Na realidade são dois compostos diferentes:

Verde Scheele (1775): Foi criado pelo químico sueco Carl Wilhelm Scheele em 1775. É o arsenito de cobre, conhecido por ser extremamente tóxico e popular na era vitoriana para tingir papéis de parede, tecidos e até doces (Fonte: Sumidoiro's blog).




 

 

 (Fonte: Sumidoiro's blog)

 Antes de Scheele, o arsênico já tinha serventias como material mortífero, mas, nem por isso, era usado com o propósito de matar gente. Às vezes, até pelo contrário, servia como medicamento ou conservante, por exemplo. Talvez aí estivesse a ilusão de que não faria mal algum.

Remetendo à sua antiguidade, três livros foram descobertos na biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca, impregnados pelo veneno. Duas são obras de história e uma biográfica, datadas de períodos que vão dos séculos XVI ao XVII. Logo em seguida, quando especialistas as examinaram, chegaram à conclusão de que o colorido esverdeado de arsênico seria uma preservação contra insetos. (Fonte: google.com/search)

(Fonte: National geographic)

Durante o período de confinamento, Napoleão habitou um quarto luxuoso pintado e decorado com o tal verde. Por isso, especula-se, ali teria desenvolvido um câncer no estômago ou, na melhor das hipóteses, algumas úlceras. Dando força a essa hipótese, mais tarde, ao analisarem amostras de seus cabelos, neles encontraram expressivas quantidades de arsênico. Há o entendimento de que os papéis, ao absorverem umidade, ficavam sujeitos a uma reação química com desprendimento de gases de arsênico no ar (Fonte: Google.com/search).



 

 



Fonte: https://sainthelenaisland.info/longwoodhouse.htm

 No início do século XX, o verde de Scheele havia caído completamente em desuso como pigmento, mas ainda era usado como inseticida até a década de 1930. Pelo menos duas reproduções modernas da tonalidade verde de Scheele com pigmentos modernos não tóxicos foram feitas, com coordenadas de cor semelhantes, mas não idênticas: uma com hex#3c7a18 (RGB 60, 122, 24) e outra com hex#478800 (RGB 71, 136, 0). Esta última é a coordenada de cor mais tipicamente relatada para o verde de Scheele (Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Scheele%27s_green).

Verde Schweinfurt/Paris (1814): Este pigmento foi desenvolvido mais tarde, na Alemanha, para uma empresa na cidade bávara de Schweinfurt em 1814 pelos fabricantes de tintas Wilhelm Sattler e Friedrich Russ um verde de Scheele aperfeiçoado, mas a mesma toxicidade e começou sua trajetória como uma inovação promissora na indústria que também possuía utilidade como raticida e inseticida (Fonte: https://sumidoiro.wordpress.com/2021/07/).


Embora relacionado ao Verde de Scheele, ele foi desenvolvido para ser mais estável e brilhante (acetoarsenito de cobre), sendo frequentemente chamado de Verde de Paris ou Verde de Schweinfurt (idem).

Além de ser belíssimo, o pigmento era relativamente barato e se espalhou rapidamente por toda a Europa. Só havia um detalhe: sua fórmula continha arsênico. Era belo, mas perigoso (idem).

Em 1927 um técnico dos cursos da Faculdade de Medicina de Paris, J. P Barruel, foi encarregado de examinar alguns bombons colorido de verde fornecido por um confeiteiro da cidade, constatando a presença de arsenito de cobre (idem).

A Gazeta Médica da Belgica em 1847 informou que uma criança de seis anos faleceu depois de comer bombons coloridos de verde (Idem).



 

 

 

 

 

 

 Fonte: Gazette médicale belge

 Essa situação descreve o auge da popularidade do Verde de Schweinfurt (também conhecido como Verde de Paris ou Esmeralda) durante a Era Vitoriana (aproximadamente 1837–1900), com particular intensidade entre as décadas de 1840 e 1870. O pigmento era extremamente popular por sua cor vibrante e durabilidade, mas a sua base de cobre e arsênio (acetoarsenito de cobre) tornava-o mortal    (wikipedia).  

  O Verde de Schweinfurt era considerado "instável" em ambientes úmidos. A umidade, aliada ao calor, facilitava a liberação de arsênio do papel de parede, das embalagens de doces e das roupas, convertendo-o frequentemente em gases tóxicos (arsina) ou fazendo com que o pigmento se soltasse em forma de pó (idem).

O pigmento não era usado apenas em papéis de parede. As crianças da época consumiam guloseimas e doces que, por moda, eram frequentemente embrulhados em papel verde esmeralda ou decorados com o mesmo corante (idem).

Relatos da época, como os citados no The Lancet em 1858, descrevem mortes de crianças após a inalação ou ingestão de pigmento que descascava do papel de parede ou embalagens (idem)

Durante a industrialização do século XIX, o consumo de produtos coloridos e industrializados cresceu. Doces, bolos e guloseimas, especialmente os "estilo Natal" (com cores vivas), muitas vezes usavam o Verde de Paris/Schweinfurt para destacar o produto (idem).

Em 31 de outubro de 1858, essa guloseima, pastilhas de hortelã-pimenta, normalmente inofensiva matou várias crianças, causando pânico em Bradford e um rápido aumento no número de mortes (Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/czq7q1ex5ewo)



 

 

 

  Getty Imagens


Estas balas eram comercializadas em uma barraca pertencente a Hamburgo Billy conhecido como "Billy da bala de hortelã", no mercado local. O mercado Kirkgate foi construido no local onde funcionava o mercado Verde onde Hamburgo Billy vendeu os doces (idem)

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/czq7q1ex5ewo

 Inicialmente, o médico que examinou Elijah Wright, de nove anos, nas primeiras horas do Halloween de 1858, pensou que o menino havia morrido de cólera (idem).

O cirurgião John Roberts achou que os sintomas - vômitos e convulsões - eram compatíveis com a doença, que era comum na Inglaterra (idem).

Foi o Dr. John Henry Bell quem suspeitou dos doces quando chegou à Rua Jowett por volta das 15h.(idem)

Uma hora depois, o pai de Joseph Scott saiu de casa, na Rua da Ferrovia, para buscar um médico para seu filho de 14 anos, que subitamente passou mal. Quando voltou, já era tarde demais (idem).

Orlando Burran, de cinco anos, e seu irmão John Henry, de três, estavam mortos diante dele; o pai e outras duas pessoas da mesma casa também estavam doentes naquela manhã, e todos haviam comido as balas de hortelã (idem)     

Quando o químico Felix Rimmington analisou os doces, ele declarou, na investigação, que havia encontrado trióxido de arsenio em abundância — em quantidade suficiente para matar (idem).

(Fonte: BBC) Á esquerda o Dr.  John Henry Bell  e à direita o farmacêutico Felix Marsh Rimmington

Este trióxido de arsênio é o mesmo usado para fazer o Verde de Paris e o verde de Scheele.

Um caso famoso registrado foi em Bradford (1858), onde um confeiteiro misturou arsênio por engano em balas, resultando em 21 crianças mortas e 78 gravemente doentes

Em pouco tempo, tornou-se a última moda em Paris. O Verde de Paris passou a colorir papéis de parede, vestuário, cortinas, tapetes, louças e até doces, ou seja, tudo o que se podia tingir.

O problema é que ele liberava pós e gases tóxicos, provocando dores de cabeça, vômitos, problemas respiratórios e, em alguns casos, a morte. Em Londres, médicos vitorianos começaram a perceber o padrão e alertar a alta sociedade: o verde estava envenenando famílias sem que elas percebessem.

No fim do século XIX, com o avanço da química, o pigmento foi substituído por versões mais seguras, mas não sem deixar um legado sombrio. Ainda hoje, o Verde de Paris é lembrado como uma das cores mais belas já criadas (Blog Cozinha Retrô, 2025).

Além de estar presente em louças, toalhas e utensílios, o Verde de Paris também era usado para colorir bolos e doces. Há registros de casos de intoxicação após banquetes da alta sociedade. Muitas vezes, o pigmento também estava nos papéis de parede e tapetes, o que fazia com que jantares inteiros ocorressem em uma atmosfera esverdejante, bela e tóxica (idem).

Um pigmento verde tóxico já foi usado para colorir tudo, de flores falsas a capas de livros. Agora, uma museóloga trabalha para rastrear os volumes nocivos (Fonte: National Geographic).








National Geographic

Bibliotecas e coleções de livros raros geralmente carregam volumes que apresentam venenos em suas páginas, indo de famosos mistérios de assassinato a obras seminais sobre toxicologia e estudos forense. Os venenos descritos nessas obras são apenas palavras em uma página, mas alguns livros espalhados pelo mundo são, literalmente, venenosos (Idem).

Esses livros tóxicos, produzidos no século 19, são encadernados em tecido vívido colorido com um pigmento verde esmeralda misturado com arsênico. Muitos deles passam despercebidos nas prateleiras e nas coleções (Idem).

Pensando nisso, Melissa Tedone, chefe do laboratório de conservação de materiais de biblioteca no Museu, Jardim e Biblioteca de Winterthur, em Delaware, Estados Unidos, lançou o projeto Livro Venenoso para localizar e catalogar esses volumes nocivos (Idem).


 

 

 

 

 

(Fonte: X)

Até o momento, a equipe descobriu 88 livros do século 19 contendo a cor verde esmeralda (Verde Paris). Setenta são cobertos com um papel verde vívido, e o restante tem o pigmento incorporado em rótulos de papel ou elementos decorativos. Tedone até encontrou um livro verde esmeralda à venda em uma livraria local, que ela rapidamente comprou (Idem).

Qualquer biblioteca que colecione publicações com capas de tecido de meados do século 19 provavelmente terá pelo menos um ou dois (Idem).


 


 

 

 

 Fonte: National Geographic


Van Gogh era um dos que amava o tom e o usou em várias telas, como no Autorretrato dedicado a Paul Gauguin — outro admirador do pigmento. Especialistas em arte também apontam o Verde de Paris como possível causa da cegueira de Claude Monet e dos problemas de saúde de Cézanne (Fonte: Blog Cozinha Retrô, 2025)





 

 

 

 Fonte: Blog Cozinha Retrô, 2025)

ResearchGate

 



Apesar de tantas mortes, mas ainda com entusiasmo pelo Verde de Paris, várias empresas passaram investir na sua produção, mas como agrotóxico. A pioneira foi a Lewis Berger & Sons, fundada em 1760, que já fornecia variada gama de pigmentos e tintas.  https://sumidoiro.wordpress.com/2021/07/01/verde-assassino/

 


 

 

 



(Fonte: https://sumidoiro.wordpress.com/2021/07/01/verde-assassino/)

 Mais adiante, a Sherwin-Williams, fundada em 1866, investiu pesado na produção como agrotóxico. O rótulo do produto dizia: “Completamente puro, Paris Green – Veneno – Algodão, Batata, Fumo”



 

 

 

 

 

 

 


Fonte: Google.com/search)

Mistura de "verde parisiense" e poeira de estrada como preparação para pulverizar riachos e criadouros de mosquitos durante a Segunda Guerra Mundial (Fonte: Google.com/search).

 Este era o princípio do que mais tarde ficou conhecido como a preparação do granulado Temephos, para controlar mosquitos principalmente onde havia muita vegetação



 

 

 

 

 

(Fonte: Wikipedia)

 


 Assim, ao final do século XIX e nas três primeiras décadas do século XX ocorre um grande avanço no uso de produtos químicos inorgânicos ou de origem mineral para a proteção de plantas contra pragas e doenças.

Estes vieram a compor a chamada Primeira Geração de Agrotóxicos, que se refere à época anterior a 1867, época em que se utilizavam produtos odoríficos ou irritantes, tais como excrementos como adubo, cinzas de madeira como repelentes, mas também se começava a utilizar enxofre, rotenona, piretro, nicotina, óleos animais ou de petróleo (Fonte: Tecnologia de aplicação de inseticidas, vol 8, pg 02)

Em 1882, descobriu-se que uma mistura de sulfato de cobre e cal - Mistura Bordeaux (Calda Bordalesa) - era um excelente fungicida para o controle de uma doença em videira denominada míldio (Plasmopara viticula) (idem).





 

 

 

 

 

Fonte: Tecnologia de aplicação de inseticidas)

Em 1890, um pó contendo mercúrio começou a ser utilizado para tratamento de sementes e, em 1915, foi desenvolvida uma formulação líquida para ser utilizada em controle de doenças fúngicas e tratamento de sementes.



 O segundo período inicia-se em 1932 com a síntese do primeiro inseticida orgânico comercializado com o nome de Lethane 384. Exatamente durante esse período, começou o desenvolvimento mais significativo nos equipamentos de aplicação desses produtos (Fonte: Dissertação de Mestrado, 2013, pg. 18).

A partir da I guerra mundial, final da década de 30, foram desenvolvidos agentes nervosos, mais letais que os agentes químicos iniciado pelo gás cloro desenvolvido pelo chefe do serviço de guerra química alemã Fritz Habe (Lei de Haber – relação entre tempo de exposição e concentração), Prêmio Nobel em química de 1918 - cianeto de hidrogênio, cloreto de cianogênio, gás mostarda, etc. Dentre as principais experiências envolvendo estes agentes nervosos, destacam-se os estudos do Tabun (GA), e o organofosforado Sarin (GB) (Fonte: Armas químicas)






 

 

 

 


(Fonte: https://gohighbrow.com/fritz-haber-2/)

Na década de 50, diversas companhias químicas e outros cientistas trabalhando independentemente descobriram uma classe de ésteres organofosforados altamente letais, agentes nervosos ainda mais tóxicos e persistentes que os do tipo-G, classificados como agentes nervosos tipo-V com estrutura similar aos inseticidas. Dentre eles pode-se citar o VX e a sua versão russa, o Russian-VX ou R-VX (Fonte: Armas químicas).



 

 



Estes compostos organofosforados atuam da mesma forma que os inseticidas organofosforados, ou seja, atuam inibindo a ação da acetilcolinesterase. Com apenas uma gota na pele, o agente nervoso VX pode matar um ser humano em poucos minutos (idem)

O terceiro período inicia-se a partir de 1939, com a era dos organosintéticos com o DDT.



 

(Fonte: Stckholm Convention)

 

 

 O DDT foi sintetizado em 1874 por um estudante alemão de bioquímica, Othmar Zeider, que não tendo encontrado nenhum uso para seu composto, permaneceu na gaveta por mais de 60 anos (Fonte: Google.com/search)



 

 

 (Fonte:Britanica)

 




Até que o suiço Paul Herman Muller, da Geigy, tropeçar nele em 1939 quando procurava um inseticida capaz de matar o Anopheles sp causador da malária que desde os tempos primitivos flagela a espécie humana. Com esta descoberta ganhou o prêmio Nobel de medicina em 1948 (Fonte: Portal Unicamp).




 

(Fonte: wikipedia)

 


O DDT iniciou seu uso durante a II Grande Guerra para matar os piolhos que atacavam as tropas nas trincheiras (Fonte: POPs).


 

 


(Fonte: CDC)

 

 

                                                         

Com o fim da guerra a indústria química procurou uma nova utilização para as toneladas que tinha em estoque. O alvo foram os insetos que atacavam as produções agrícolas e na sequência os insetos que transmitiam doenças (Fonte: Pesquisa junto ao Gemini IA).


Sem dúvida alguma foi o pesticida de maior importância histórica, devido ao seu impacto ambiental, na agricultura e saúde humana.

Este composto, surpreendentemente, demonstrava ser eficaz contra uma vasta gama de insetos, o que levou a uma rápida comercialização e a um uso vastíssimo na década de 60.


O DDT (diclorodifeniltricloroetano) foi chamado de "salva-vidas" (e até considerado um produto "milagroso") principalmente por causa de sua eficácia sem precedentes no controle de insetos transmissores de doenças letais durante e logo após a Segunda Guerra Mundial (Fonte. IA Gemini)



 

 (Fonte: Redbubble)


Durante a Segunda Guerra Mundial, o DDT foi amplamente utilizado para proteger tropas aliadas e populações civis de doenças como malária (transmitida por mosquitos)

e tifo (transmitido por piolhos). A sua aplicação foi fundamental para conter surtos, como o de tifo em Nápoles, Itália, em 1944 (Idem)



 


Fonte: Jornal da Unicamp)

 

 

 Estima-se que, até 1970, o uso de DDT ajudou a salvar cerca de 500 milhões de vidas da malária (Idem).

O DDT era altamente eficaz, de longa duração (residual) e barato para produzir. Isso permitiu a pulverização em grande escala em áreas residenciais e acampamentos militares para eliminar mosquitos (Idem)..

Embora tenha sido uma ferramenta fundamental na saúde pública na década de 1940 e 50, o uso indiscriminado do DDT foi posteriormente proibido na maioria dos países, incluindo os EUA em 1972, devido aos seus impactos adversos ao meio ambiente e à saúde humana, como a bioacumulação e riscos de câncer (Idem)..

O impacto do DDT na saúde humana recebeu atenção mundial do público em geral e das comunidades política e científica, com a publicação de Primavera Silenciosa, de Rachel Carson. No ivro Primavera Silenciosa, Carson descreveu uma série de efeitos nocivos ao meio ambiente e à vida selvagem resultantes do uso do DDT e de outros compostos semelhantes (Fonte: JMVH).

Gases venenosos testados na Primeira Guerra foram evitados na Segunda Grande Guerra, devido aos efeitos devastadores para ambos os lados. Porém muitas pesquisas foram desenvolvidas, pois concluíram que o que mata gente também mata insetos. Fazem novas fórmulas e as comercializam como inseticidas (Fonte: Google.com/search)



(Fonte: Animal business)





A Bayer desenvolve os ésteres do ácido fosfórico, os quais posteriormente deram origem aos inseticidas do grupo do Parathion (Fonte: IA Gemini)

No Brasil, no início dos anos 50, a introdução de inseticidas fosforados para substituir o uso do DDT, veio acompanhada de um método cruel (Fonte: Master editora, pg. 54).

Foi ensinado que para misturar o DDT, formulado como pó solúvel na água, o agricultor deveria usar o braço, com a mão aberta girando meia volta em um e outro sentido, para facilitar a mistura (Idem).

Fonte: Blogger


Como o DDT tem uma dose letal alta (demanda uma alta absorção do produto para provocar a morte), somente cerca de 15 anos depois os problemas de saúde apareciam (Idem).

Contudo, quando o agricultor tentava repetir a técnica com o Parathion, primeiro fosforado introduzido no Brasil, morria rapidamente, fato que se repetiu em diversas regiões do país (Idem).

A partir do conhecimento dos efeitos adversos em função de uso indiscriminado destes inseticidas como resistência, presença de resíduos em alimentos e problemas ambientais começa a surgir uma nova consciência no mundo a respeito dos danos causados pelos inseticidas.

Na próxima postagem vamos discutir questões sobre as novas moléculas tanto sintéticas como naturais que é o que está no comércio hoje, mas precisamos ter cuidado com o que vamos lidar porque são muitas as ofertas e precisamos estar cientes de nossas convicções para ver se estamos no caminho certo.

Para isto precisamos tem um olhar global e fazer as escolhas numa base científica. E é isto que quero conversar com vocês na próxima publicação.

Podemos dizer que esta nova era da tomada de atitude contra os danos causados pelos pesticidas iniciou com a publicação, em 1962, do livro Primavera Silenciosa da naturalista americana Rachel Carson. Na realidade este livro tem como foco principal o uso indiscriminado do DDT.






 

 (Fonte: UNK)

Já no final da década de 50, professores da Universidade da Califórnia publicaram um trabalho sobre o conceito de controle integrado, que se transformou num marco da Entomologia Aplicada (Já conversado em postagem anterior).

Os autores propuseram uma estratégia de convivência com as pragas, dando oportunidade ao controle biológico natural e recomendando o controle químico quando a população da praga atinge níveis que causam prejuízos maiores do que os custos de controle.

A história dos inseticidas reflete a evolução do conhecimento humano: começou com observações empíricas na Antiguidade, passou pelo uso intensivo de substâncias minerais e sintéticas e, hoje, caminha em direção a soluções mais sustentáveis e integradas.

O desafio contemporâneo é equilibrar produtividade agrícola, segurança alimentar, preservação ambiental e saúde pública que vamos abordar nas próximas publicações.