domingo, 22 de fevereiro de 2026

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS INSETICIDAS: DA ORIGEM NATURAL ÀS APLICAÇÕES SOCIAIS, MILITARES E AGROSANITÁRIAS

 “Uma análise histórica dos inseticidas desde sua origem natural e sua incorporação industrial passando pelo uso como pigmentos artísticos passando para sua consolidação como ferramenta militar, agrícola e sanitária”.

Esta é um postagem revisada e atualizada da que havia sido publicada em 21 de agosto de 2011.

A história dos inseticidas começa na antiguidade. Mesmo nos anos antes de Cristo os povos da China, da Grécia e da Suméria já se tinham apercebido do efeito de alguns sais inorgânicos no combate aos insetos nas suas colheitas. O conhecimento era empírico, baseado na observação dos efeitos de certas substâncias sobre pragas.

China antiga (≈ 1000 a.C.)
A China antiga, especialmente a partir da Dinastia Zhou (aprox. 1000 a.C.), possui registros históricos notáveis sobre o manejo de pragas na agricultura, utilizando métodos minerais e botânicos. Registros indicam o uso de enxofre inorgânico, mercúrio e compostos de arsênico para combater insetos em plantações e armazenamentos de grãos. O enxofre, em particular, foi utilizado não só para pragas agrícolas, mas também como fumegante (queimado) para controlar piolhos e insetos. Pesquisa ajuda IA Gemini)








Suméria e Mesopotâmia (≈ 2500 a.C.)

Tabletes cuneiformes indicam o uso de enxofre queimado como fumigante para afastar insetos e outros organismos indesejáveis, especialmente em ambientes de armazenamento. Pesquisa ajuda IA gemini)


                                                     






Aventuras na História  

Egito Antigo (aproximadamente entre 3200 a.C. e 30 a.C.

Arqueólogos encontraram concentrações de cinzas escuras e densas ao redor de silos de tijolos de barro no Egito (como no Reino Antigo em Gizé), indicando que as cinzas eram usadas como uma barreira física e inseticida, causando desidratação em insetos. (Pesquisa ajuda IA Gemini)

Os egípcios enfrentavam pragas graves em seus grãos, como besouros (ex: Sitophilus oryzaeTenebroides mauritanicus), encontrados em escavações de locais de armazenamento.

O uso de cinzas, poeira de solo e sementes oleaginosas para proteção de alimentos secos remonta a meados do segundo milênio a.C. no Antigo Oriente e Egito.

Além de cinzas, o próprio design dos silos (fechados e de barro) e o armazenamento de grãos com as espigas (não debulhados) ajudavam a diminuir a infestação. 


                                    




 https://ca.pinterest.com/pin/28710516368851414/


Grécia e Roma antigas (aproximadamente entre 800 a 701 a.C. e   401 a 500 d.C.)

Autores como Homero, Aristóteles e Plínio, o Velho mencionaram o uso de enxofre, óleos, resinas e cinzas no controle de pragas agrícolas. O enxofre, em especial, tornou-se um dos primeiros inseticidas e fungicidas “clássicos” (Pesquisa junto IA Gemini).

Os romanos antigos já usavam fumaça da queima de enxofre para controlar pulgões que atacavam as plantações de trigo.

Compostos orgânicos naturais como a piretrina, obtida das flores do crisântemo eram utilizados como inseticidas pelos chineses cerca de 2.000 anos atrás. atrás.

 

 Chrysanthemum cinerariaefolium

 Povos do deserto protegiam suas tendas de armazenamento de cereais acrescentando pó de piretro sobre os grãos, ou pendurando feixes dessa flor na entrada das tendas, os quais serviam como repelente de moscas e mosquitos. (Dissertação Mestrado USP, 2008, pg 33)

                                                                   Freepik






Freepik

 Nos primórdios do século XIX, os chineses utilizavam arsênico misturado em água para controlar insetos (Tecnologia chain, pg.572)

Mais tarde perceberam também que certas plantas funcionavam perfeitamente como um veneno potente para a maioria dos vertebrados e invertebrados, embora não tivessem a menor idéia de quais as substâncias ativas que elas continham. Uma dessas substâncias era a nicotina extraída da planta Nicotina tabacum ou a rotenona extraída da raiz do timbó (Derris sp).









O Ponto de Virada foi apenas no final do século XIX onde pesticidas químicos mais "modernos" e inorgânicos, como o "verde de Paris" (arsenito de cobre) e a calda bordalesa (sulfato de cobre e cal), começaram a ser desenvolvidos e aplicados de forma mais científica. (Pesquisa junto ao Gemni ai).

O uso “oficial” de pesticidas começou neste mesmo período (final do século XIX), com a comercialização de alguns sais inorgânicos no combate às espécies de besouros que afetavam as plantações de batatas. No entanto a maioria destes sais eram tão tóxicos para as pragas como para o homem. (Pesquisa junto ao IA Gemini).

Apenas em 1867 (final do século XIX) o Verde de Paris ou Paris Green foi introduzido no combate a pragas, sendo o principal inseticida para combater o besouro da batata no Colorado (Leptinotarsa decemlineata).


 Relatos históricos sugerem que a descoberta foi acidental em 1860. Um fazendeiro teria notado que respingos de tinta verde, usada para pintar persianas ou janelas, caíram sobre plantas de batata infestadas e mataram os besouros quase imediatamente (Fonte: IA Gemini) .

Em 1900 era usado em tão larga escala que levou o governo dos Estados Unidos da América a estabelecer a primeira legislação no país sobre o uso de inseticidas (Fonte: Dissertação Mestrado, pg.19, 2011).

O Verde de Paris foi o primeiro e mais emblemático pesticida sintético inorgânico, e tem uma história bastante peculiar. Mais tarde vamos fazer uma postagem sobre esta tinta que se tornou um inseticida bem controverso. Acredito que seja o mais controverso existente. Muito mais que o DDT.

 

Fonte: https://arteref.com/pintura/uma-breve-historia-do-verde-na-arte/  

Verde de Paris é o nome de um composto à base de arsênico e cobre descoberto em 1808, mas comercializado em 1814, não como pesticida, mas como um pigmento para tintas, devido à cor verde intensa. wikipedia

Só após se atribuir a culpa ao Verde de Paris pelos envenenamentos de algumas pessoas que pintavam quadros é que o composto foi completamente banido das tintas estando inserido em inúmeros quadros pintados durante o século XIX (idem).

O composto acabou por ser banido poucos anos depois, devido sua extrema toxicidade para os mamíferos.

Sua história começa no século XVIII e XIX onde surgiu na Europa uma cor que causou fascínio, entretanto deve-se desdobrar a invenção deste belo verde brilhante que despertou o interesse de várias pessoas, pintores, doceiras e tudo que se podia tingir. (Fonte: Wikipedia)

Apesar de ficar conhecido como Verde Paris, denominação esta que se deve à popularidade e ao uso intenso deste pigmento na cidade de Paris durante o século XIX, tornando-se uma cor de moda e decoração icônica na época, foi criada na Suécia e depois na Alemanha e em 1867, o pigmento foi batizado de verde Paris e oficialmente reconhecido como o primeiro inseticida químico do mundo (Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Paris_green)

O "Verde Paris" foi amplamente utilizado como veneno para controlar a população de ratos nos esgotos e subterrâneos de Paris durante o século XIX e início do século XX (Pesquisa junto ao IA Gemini) . 

Além de ratos, foi um dos primeiros inseticidas agrícolas amplamente utilizados, inclusive contra besouros e no controle de larvas de mosquitos, chegando a ser pulverizado por aviões em partes da Itália e França durante as campanhas antimalária na década de 1940. (Pesquisa junto ao Gemini ai)

Na realidade são dois compostos diferentes:

Verde Scheele (1775): Foi criado pelo químico sueco Carl Wilhelm Scheele em 1775. É o arsenito de cobre, conhecido por ser extremamente tóxico e popular na era vitoriana para tingir papéis de parede, tecidos e até doces (Fonte: Sumidoiro's blog).




 

 

 (Fonte: Sumidoiro's blog)

 Antes de Scheele, o arsênico já tinha serventias como material mortífero, mas, nem por isso, era usado com o propósito de matar gente. Às vezes, até pelo contrário, servia como medicamento ou conservante, por exemplo. Talvez aí estivesse a ilusão de que não faria mal algum.

Remetendo à sua antiguidade, três livros foram descobertos na biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca, impregnados pelo veneno. Duas são obras de história e uma biográfica, datadas de períodos que vão dos séculos XVI ao XVII. Logo em seguida, quando especialistas as examinaram, chegaram à conclusão de que o colorido esverdeado de arsênico seria uma preservação contra insetos. (Fonte: google.com/search)

(Fonte: National geographic)

Durante o período de confinamento, Napoleão habitou um quarto luxuoso pintado e decorado com o tal verde. Por isso, especula-se, ali teria desenvolvido um câncer no estômago ou, na melhor das hipóteses, algumas úlceras. Dando força a essa hipótese, mais tarde, ao analisarem amostras de seus cabelos, neles encontraram expressivas quantidades de arsênico. Há o entendimento de que os papéis, ao absorverem umidade, ficavam sujeitos a uma reação química com desprendimento de gases de arsênico no ar (Fonte: Google.com/search).



 

 



Fonte: https://sainthelenaisland.info/longwoodhouse.htm

 No início do século XX, o verde de Scheele havia caído completamente em desuso como pigmento, mas ainda era usado como inseticida até a década de 1930. Pelo menos duas reproduções modernas da tonalidade verde de Scheele com pigmentos modernos não tóxicos foram feitas, com coordenadas de cor semelhantes, mas não idênticas: uma com hex#3c7a18 (RGB 60, 122, 24) e outra com hex#478800 (RGB 71, 136, 0). Esta última é a coordenada de cor mais tipicamente relatada para o verde de Scheele (Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Scheele%27s_green).

Verde Schweinfurt/Paris (1814): Este pigmento foi desenvolvido mais tarde, na Alemanha, para uma empresa na cidade bávara de Schweinfurt em 1814 pelos fabricantes de tintas Wilhelm Sattler e Friedrich Russ um verde de Scheele aperfeiçoado, mas a mesma toxicidade e começou sua trajetória como uma inovação promissora na indústria que também possuía utilidade como raticida e inseticida (Fonte: https://sumidoiro.wordpress.com/2021/07/).


Embora relacionado ao Verde de Scheele, ele foi desenvolvido para ser mais estável e brilhante (acetoarsenito de cobre), sendo frequentemente chamado de Verde de Paris ou Verde de Schweinfurt (idem).

Além de ser belíssimo, o pigmento era relativamente barato e se espalhou rapidamente por toda a Europa. Só havia um detalhe: sua fórmula continha arsênico. Era belo, mas perigoso (idem).

Em 1927 um técnico dos cursos da Faculdade de Medicina de Paris, J. P Barruel, foi encarregado de examinar alguns bombons colorido de verde fornecido por um confeiteiro da cidade, constatando a presença de arsenito de cobre (idem).

A Gazeta Médica da Belgica em 1847 informou que uma criança de seis anos faleceu depois de comer bombons coloridos de verde (Idem).



 

 

 

 

 

 

 Fonte: Gazette médicale belge

 Essa situação descreve o auge da popularidade do Verde de Schweinfurt (também conhecido como Verde de Paris ou Esmeralda) durante a Era Vitoriana (aproximadamente 1837–1900), com particular intensidade entre as décadas de 1840 e 1870. O pigmento era extremamente popular por sua cor vibrante e durabilidade, mas a sua base de cobre e arsênio (acetoarsenito de cobre) tornava-o mortal    (wikipedia).  

  O Verde de Schweinfurt era considerado "instável" em ambientes úmidos. A umidade, aliada ao calor, facilitava a liberação de arsênio do papel de parede, das embalagens de doces e das roupas, convertendo-o frequentemente em gases tóxicos (arsina) ou fazendo com que o pigmento se soltasse em forma de pó (idem).

O pigmento não era usado apenas em papéis de parede. As crianças da época consumiam guloseimas e doces que, por moda, eram frequentemente embrulhados em papel verde esmeralda ou decorados com o mesmo corante (idem).

Relatos da época, como os citados no The Lancet em 1858, descrevem mortes de crianças após a inalação ou ingestão de pigmento que descascava do papel de parede ou embalagens (idem)

Durante a industrialização do século XIX, o consumo de produtos coloridos e industrializados cresceu. Doces, bolos e guloseimas, especialmente os "estilo Natal" (com cores vivas), muitas vezes usavam o Verde de Paris/Schweinfurt para destacar o produto (idem).

Em 31 de outubro de 1858, essa guloseima, pastilhas de hortelã-pimenta, normalmente inofensiva matou várias crianças, causando pânico em Bradford e um rápido aumento no número de mortes (Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/czq7q1ex5ewo)



 

 

 

  Getty Imagens


Estas balas eram comercializadas em uma barraca pertencente a Hamburgo Billy conhecido como "Billy da bala de hortelã", no mercado local. O mercado Kirkgate foi construido no local onde funcionava o mercado Verde onde Hamburgo Billy vendeu os doces (idem)

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/czq7q1ex5ewo

 Inicialmente, o médico que examinou Elijah Wright, de nove anos, nas primeiras horas do Halloween de 1858, pensou que o menino havia morrido de cólera (idem).

O cirurgião John Roberts achou que os sintomas - vômitos e convulsões - eram compatíveis com a doença, que era comum na Inglaterra (idem).

Foi o Dr. John Henry Bell quem suspeitou dos doces quando chegou à Rua Jowett por volta das 15h.(idem)

Uma hora depois, o pai de Joseph Scott saiu de casa, na Rua da Ferrovia, para buscar um médico para seu filho de 14 anos, que subitamente passou mal. Quando voltou, já era tarde demais (idem).

Orlando Burran, de cinco anos, e seu irmão John Henry, de três, estavam mortos diante dele; o pai e outras duas pessoas da mesma casa também estavam doentes naquela manhã, e todos haviam comido as balas de hortelã (idem)     

Quando o químico Felix Rimmington analisou os doces, ele declarou, na investigação, que havia encontrado trióxido de arsenio em abundância — em quantidade suficiente para matar (idem).

(Fonte: BBC) Á esquerda o Dr.  John Henry Bell  e à direita o farmacêutico Felix Marsh Rimmington

Este trióxido de arsênio é o mesmo usado para fazer o Verde de Paris e o verde de Scheele.

Um caso famoso registrado foi em Bradford (1858), onde um confeiteiro misturou arsênio por engano em balas, resultando em 21 crianças mortas e 78 gravemente doentes

Em pouco tempo, tornou-se a última moda em Paris. O Verde de Paris passou a colorir papéis de parede, vestuário, cortinas, tapetes, louças e até doces, ou seja, tudo o que se podia tingir.

O problema é que ele liberava pós e gases tóxicos, provocando dores de cabeça, vômitos, problemas respiratórios e, em alguns casos, a morte. Em Londres, médicos vitorianos começaram a perceber o padrão e alertar a alta sociedade: o verde estava envenenando famílias sem que elas percebessem.

No fim do século XIX, com o avanço da química, o pigmento foi substituído por versões mais seguras, mas não sem deixar um legado sombrio. Ainda hoje, o Verde de Paris é lembrado como uma das cores mais belas já criadas (Blog Cozinha Retrô, 2025).

Além de estar presente em louças, toalhas e utensílios, o Verde de Paris também era usado para colorir bolos e doces. Há registros de casos de intoxicação após banquetes da alta sociedade. Muitas vezes, o pigmento também estava nos papéis de parede e tapetes, o que fazia com que jantares inteiros ocorressem em uma atmosfera esverdejante, bela e tóxica (idem).

Um pigmento verde tóxico já foi usado para colorir tudo, de flores falsas a capas de livros. Agora, uma museóloga trabalha para rastrear os volumes nocivos (Fonte: National Geographic).








National Geographic

Bibliotecas e coleções de livros raros geralmente carregam volumes que apresentam venenos em suas páginas, indo de famosos mistérios de assassinato a obras seminais sobre toxicologia e estudos forense. Os venenos descritos nessas obras são apenas palavras em uma página, mas alguns livros espalhados pelo mundo são, literalmente, venenosos (Idem).

Esses livros tóxicos, produzidos no século 19, são encadernados em tecido vívido colorido com um pigmento verde esmeralda misturado com arsênico. Muitos deles passam despercebidos nas prateleiras e nas coleções (Idem).

Pensando nisso, Melissa Tedone, chefe do laboratório de conservação de materiais de biblioteca no Museu, Jardim e Biblioteca de Winterthur, em Delaware, Estados Unidos, lançou o projeto Livro Venenoso para localizar e catalogar esses volumes nocivos (Idem).


 

 

 

 

 

(Fonte: X)

Até o momento, a equipe descobriu 88 livros do século 19 contendo a cor verde esmeralda (Verde Paris). Setenta são cobertos com um papel verde vívido, e o restante tem o pigmento incorporado em rótulos de papel ou elementos decorativos. Tedone até encontrou um livro verde esmeralda à venda em uma livraria local, que ela rapidamente comprou (Idem).

Qualquer biblioteca que colecione publicações com capas de tecido de meados do século 19 provavelmente terá pelo menos um ou dois (Idem).


 


 

 

 

 Fonte: National Geographic


Van Gogh era um dos que amava o tom e o usou em várias telas, como no Autorretrato dedicado a Paul Gauguin — outro admirador do pigmento. Especialistas em arte também apontam o Verde de Paris como possível causa da cegueira de Claude Monet e dos problemas de saúde de Cézanne (Fonte: Blog Cozinha Retrô, 2025)





 

 

 

 Fonte: Blog Cozinha Retrô, 2025)

ResearchGate

 



Apesar de tantas mortes, mas ainda com entusiasmo pelo Verde de Paris, várias empresas passaram investir na sua produção, mas como agrotóxico. A pioneira foi a Lewis Berger & Sons, fundada em 1760, que já fornecia variada gama de pigmentos e tintas.  https://sumidoiro.wordpress.com/2021/07/01/verde-assassino/

 


 

 

 



(Fonte: https://sumidoiro.wordpress.com/2021/07/01/verde-assassino/)

 Mais adiante, a Sherwin-Williams, fundada em 1866, investiu pesado na produção como agrotóxico. O rótulo do produto dizia: “Completamente puro, Paris Green – Veneno – Algodão, Batata, Fumo”



 

 

 

 

 

 

 


Fonte: Google.com/search)

Mistura de "verde parisiense" e poeira de estrada como preparação para pulverizar riachos e criadouros de mosquitos durante a Segunda Guerra Mundial (Fonte: Google.com/search).

 Este era o princípio do que mais tarde ficou conhecido como a preparação do granulado Temephos, para controlar mosquitos principalmente onde havia muita vegetação



 

 

 

 

 

(Fonte: Wikipedia)

 


 Assim, ao final do século XIX e nas três primeiras décadas do século XX ocorre um grande avanço no uso de produtos químicos inorgânicos ou de origem mineral para a proteção de plantas contra pragas e doenças.

Estes vieram a compor a chamada Primeira Geração de Agrotóxicos, que se refere à época anterior a 1867, época em que se utilizavam produtos odoríficos ou irritantes, tais como excrementos como adubo, cinzas de madeira como repelentes, mas também se começava a utilizar enxofre, rotenona, piretro, nicotina, óleos animais ou de petróleo (Fonte: Tecnologia de aplicação de inseticidas, vol 8, pg 02)

Em 1882, descobriu-se que uma mistura de sulfato de cobre e cal - Mistura Bordeaux (Calda Bordalesa) - era um excelente fungicida para o controle de uma doença em videira denominada míldio (Plasmopara viticula) (idem).





 

 

 

 

 

Fonte: Tecnologia de aplicação de inseticidas)

Em 1890, um pó contendo mercúrio começou a ser utilizado para tratamento de sementes e, em 1915, foi desenvolvida uma formulação líquida para ser utilizada em controle de doenças fúngicas e tratamento de sementes.



 O segundo período inicia-se em 1932 com a síntese do primeiro inseticida orgânico comercializado com o nome de Lethane 384. Exatamente durante esse período, começou o desenvolvimento mais significativo nos equipamentos de aplicação desses produtos (Fonte: Dissertação de Mestrado, 2013, pg. 18).

A partir da I guerra mundial, final da década de 30, foram desenvolvidos agentes nervosos, mais letais que os agentes químicos iniciado pelo gás cloro desenvolvido pelo chefe do serviço de guerra química alemã Fritz Habe (Lei de Haber – relação entre tempo de exposição e concentração), Prêmio Nobel em química de 1918 - cianeto de hidrogênio, cloreto de cianogênio, gás mostarda, etc. Dentre as principais experiências envolvendo estes agentes nervosos, destacam-se os estudos do Tabun (GA), e o organofosforado Sarin (GB) (Fonte: Armas químicas)






 

 

 

 


(Fonte: https://gohighbrow.com/fritz-haber-2/)

Na década de 50, diversas companhias químicas e outros cientistas trabalhando independentemente descobriram uma classe de ésteres organofosforados altamente letais, agentes nervosos ainda mais tóxicos e persistentes que os do tipo-G, classificados como agentes nervosos tipo-V com estrutura similar aos inseticidas. Dentre eles pode-se citar o VX e a sua versão russa, o Russian-VX ou R-VX (Fonte: Armas químicas).



 

 



Estes compostos organofosforados atuam da mesma forma que os inseticidas organofosforados, ou seja, atuam inibindo a ação da acetilcolinesterase. Com apenas uma gota na pele, o agente nervoso VX pode matar um ser humano em poucos minutos (idem)

O terceiro período inicia-se a partir de 1939, com a era dos organosintéticos com o DDT.



 

(Fonte: Stckholm Convention)

 

 

 O DDT foi sintetizado em 1874 por um estudante alemão de bioquímica, Othmar Zeider, que não tendo encontrado nenhum uso para seu composto, permaneceu na gaveta por mais de 60 anos (Fonte: Google.com/search)



 

 

 (Fonte:Britanica)

 




Até que o suiço Paul Herman Muller, da Geigy, tropeçar nele em 1939 quando procurava um inseticida capaz de matar o Anopheles sp causador da malária que desde os tempos primitivos flagela a espécie humana. Com esta descoberta ganhou o prêmio Nobel de medicina em 1948 (Fonte: Portal Unicamp).




 

(Fonte: wikipedia)

 


O DDT iniciou seu uso durante a II Grande Guerra para matar os piolhos que atacavam as tropas nas trincheiras (Fonte: POPs).


 

 


(Fonte: CDC)

 

 

                                                         

Com o fim da guerra a indústria química procurou uma nova utilização para as toneladas que tinha em estoque. O alvo foram os insetos que atacavam as produções agrícolas e na sequência os insetos que transmitiam doenças (Fonte: Pesquisa junto ao Gemini IA).


Sem dúvida alguma foi o pesticida de maior importância histórica, devido ao seu impacto ambiental, na agricultura e saúde humana.

Este composto, surpreendentemente, demonstrava ser eficaz contra uma vasta gama de insetos, o que levou a uma rápida comercialização e a um uso vastíssimo na década de 60.


O DDT (diclorodifeniltricloroetano) foi chamado de "salva-vidas" (e até considerado um produto "milagroso") principalmente por causa de sua eficácia sem precedentes no controle de insetos transmissores de doenças letais durante e logo após a Segunda Guerra Mundial (Fonte. IA Gemini)



 

 (Fonte: Redbubble)


Durante a Segunda Guerra Mundial, o DDT foi amplamente utilizado para proteger tropas aliadas e populações civis de doenças como malária (transmitida por mosquitos)

e tifo (transmitido por piolhos). A sua aplicação foi fundamental para conter surtos, como o de tifo em Nápoles, Itália, em 1944 (Idem)



 


Fonte: Jornal da Unicamp)

 

 

 Estima-se que, até 1970, o uso de DDT ajudou a salvar cerca de 500 milhões de vidas da malária (Idem).

O DDT era altamente eficaz, de longa duração (residual) e barato para produzir. Isso permitiu a pulverização em grande escala em áreas residenciais e acampamentos militares para eliminar mosquitos (Idem)..

Embora tenha sido uma ferramenta fundamental na saúde pública na década de 1940 e 50, o uso indiscriminado do DDT foi posteriormente proibido na maioria dos países, incluindo os EUA em 1972, devido aos seus impactos adversos ao meio ambiente e à saúde humana, como a bioacumulação e riscos de câncer (Idem)..

O impacto do DDT na saúde humana recebeu atenção mundial do público em geral e das comunidades política e científica, com a publicação de Primavera Silenciosa, de Rachel Carson. No ivro Primavera Silenciosa, Carson descreveu uma série de efeitos nocivos ao meio ambiente e à vida selvagem resultantes do uso do DDT e de outros compostos semelhantes (Fonte: JMVH).

Gases venenosos testados na Primeira Guerra foram evitados na Segunda Grande Guerra, devido aos efeitos devastadores para ambos os lados. Porém muitas pesquisas foram desenvolvidas, pois concluíram que o que mata gente também mata insetos. Fazem novas fórmulas e as comercializam como inseticidas (Fonte: Google.com/search)



(Fonte: Animal business)





A Bayer desenvolve os ésteres do ácido fosfórico, os quais posteriormente deram origem aos inseticidas do grupo do Parathion (Fonte: IA Gemini)

No Brasil, no início dos anos 50, a introdução de inseticidas fosforados para substituir o uso do DDT, veio acompanhada de um método cruel (Fonte: Master editora, pg. 54).

Foi ensinado que para misturar o DDT, formulado como pó solúvel na água, o agricultor deveria usar o braço, com a mão aberta girando meia volta em um e outro sentido, para facilitar a mistura (Idem).

Fonte: Blogger


Como o DDT tem uma dose letal alta (demanda uma alta absorção do produto para provocar a morte), somente cerca de 15 anos depois os problemas de saúde apareciam (Idem).

Contudo, quando o agricultor tentava repetir a técnica com o Parathion, primeiro fosforado introduzido no Brasil, morria rapidamente, fato que se repetiu em diversas regiões do país (Idem).

A partir do conhecimento dos efeitos adversos em função de uso indiscriminado destes inseticidas como resistência, presença de resíduos em alimentos e problemas ambientais começa a surgir uma nova consciência no mundo a respeito dos danos causados pelos inseticidas.

Na próxima postagem vamos discutir questões sobre as novas moléculas tanto sintéticas como naturais que é o que está no comércio hoje, mas precisamos ter cuidado com o que vamos lidar porque são muitas as ofertas e precisamos estar cientes de nossas convicções para ver se estamos no caminho certo.

Para isto precisamos tem um olhar global e fazer as escolhas numa base científica. E é isto que quero conversar com vocês na próxima publicação.

Podemos dizer que esta nova era da tomada de atitude contra os danos causados pelos pesticidas iniciou com a publicação, em 1962, do livro Primavera Silenciosa da naturalista americana Rachel Carson. Na realidade este livro tem como foco principal o uso indiscriminado do DDT.






 

 (Fonte: UNK)

Já no final da década de 50, professores da Universidade da Califórnia publicaram um trabalho sobre o conceito de controle integrado, que se transformou num marco da Entomologia Aplicada (Já conversado em postagem anterior).

Os autores propuseram uma estratégia de convivência com as pragas, dando oportunidade ao controle biológico natural e recomendando o controle químico quando a população da praga atinge níveis que causam prejuízos maiores do que os custos de controle.

A história dos inseticidas reflete a evolução do conhecimento humano: começou com observações empíricas na Antiguidade, passou pelo uso intensivo de substâncias minerais e sintéticas e, hoje, caminha em direção a soluções mais sustentáveis e integradas.

O desafio contemporâneo é equilibrar produtividade agrícola, segurança alimentar, preservação ambiental e saúde pública que vamos abordar nas próximas publicações.